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Opinião

SEXO NA PROPAGANDA

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Não é proibido e nem imoral usar um apelo sensual na propaganda, e até deixar respingar um molho mais picante que aguce curiosidades. Uma pitadinha de duplo sentido estimulando sutilmente o desejo não faz mal a ninguém. Afinal, sexo é vida, prazer, felicidade. Mas a propaganda, assim como qualquer atividade profissional, tem seus limites e forte compromisso com o respeito na comunicação que transmite para o seu público. Liberdade de expressão na modesta opinião desse velho publicitário, não pode ser confundida com obscenidade. Simplesmente jogar no lixo o importante papel social que a mídia paga representa para a comunidade é desconhecer que nós somos regidos por um Código de Ética. Assim como o médico respeita as regras do seu Conselho, igualmente o advogado, o dentista, engenheiro, o jornalista, enfim, todas as profissões, inclusive o publicitário. Entendo que na publicidade ser ético começa por respeitar a concorrência, os clientes, as audiências. Ser ético na propaganda é não alimentar preconceitos, é preservar valores estabelecendo uma relação positiva entre público, produtos e serviços. O publicitário é um formador de opinião com uma responsabilidade talvez bem maior que todas as outras profissões porque fala diariamente com milhares, milhões de pessoas: crianças, adolescentes, homens e mulheres de todas as culturas são impactados a cada segundo por uma mensagem da propaganda enfocando diversos temas e conceitos. Por isso mesmo é preciso saber fazer a diferença entre o bom e o ruim, o correto e o incorreto, o justo e o injusto. Isso é o básico para exercer uma profissão que exige, no mínimo, equilíbrio na hora de colocar as ideias. Por esses dias, a exposição de um cartaz de rua exibindo em letras garrafais uma mensagem chula, depreciativa contra as mulheres, foi alvo de muitas discussões. Em duas versões diferentes, a modelo exibia acintosamente a genitália e o protuberante traseiro insinuando que vendia o seu corpo para o consumidor como uma espécie prêmio na compra do produto. Mas, pelo jeito, o feitiço virou contra o feiticeiro. Para comprovar essa verdade, basta que o anunciante que aprovou a ?ideia criativa? faça uma enquete e terá a seguinte resposta: as pessoas vão lembrar da bunda da mulher, mas o produto, o foco da mensagem ninguém viu, ninguém sabe.

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