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Os riscos que v�m do Norte

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Parafraseando um político famoso brasileiro, poder-se-ia afirmar que a polarização da atual campanha pela Casa Branca faz aflorar naquele país os sentimentos mais primitivos de principal potência mundial. Em verdade, mesmo assolados por fortes ventos das crises globais, os Estados Unidos ainda são a única superpotência no mundo contemporâneo. Um colosso fustigado e, de certo modo, perplexo perante um mundo pós-Guerra Fria, onde os velhos rivais soviéticos saíram abruptamente de cena, relegando a disputa geopolítica e ideológica a patamares inesperados para o establishment americano. Depois da impactante eleição de um negro para gerir os destinos do globo a partir da Casa Branca, os mais arraigados pensamentos conservadores ianques ressurgem no discurso republicano. E esses sentimentos mais primitivos não espocaram por acaso durante a campanha atual. Desde antes, posicionamentos radicalizados como os esposados pelo Tea Party têm polarizado o debate político nos EUA. Pelos discursos da campanha, a impressão é de que está sendo revitalizado o ?Grande Porrete?, falado e praticado durante a época na qual Theodore Roosevelt encastelou-se em Washington, nos idos de 1901. O Big Stick, em versão mais letal, está de volta. E esses impulsos primários não são exclusividade da postura republicana. O próprio Obama, símbolo maior do que seria a renovação e radicalização democrata nos EUA não pôde, não pode, e nem poderá, simplesmente, ignorar o eco das invectivas conservadoras. Durante seu mandato, foi forçado a engavetar proposições mais liberais (no sentido filosófico), especialmente suas pretensões pacifistas foram reduzidas desde os primeiros dias de poder efetivo, sendo o mais emblemático o discurso belicoso proferido quando do recebimento do Prêmio Nobel da Paz, momento no qual acintosamente deixou para trás o suposto mentor Martin Luther King. É assustador ver-se a combinação entre o avassalador crescimento dos republicanos e a incapacidade democrata em ampliar seu público ouvinte. O mundo tem razões para se preocupar.

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