loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Cambiando presos e graves problemas

Ouvir
Compartilhar

Alagoas não é caso isolado da necessidade de transferência de presidiários para plagas longínquas. A comunicabilidade entre presos e seus grupos de comandados é um problema que, em muito, antecede aos tempos contemporâneos e todas as vantagens dos modernos instrumentos de telefonia móvel. Nos séculos precedentes a troca de correspondências, escritas e circuladas através das formas mais criativas inspiraram várias obras literárias. A telefonia celular e demais parafernálias comunicantes dos nossos dias apenas tornam mais fácil burlar o controle das autoridades prisionais. Mas, repetimos: o funcionamento dos presídios como epicentros de comando, exportando (e importando) orientações, é coisa muito antiga. No passado, ilhas foram tentadas como forma de controle das comunicações e redução de fugas. No Brasil, assinalam-se experiências de navios prisões, como o Raul Soares (usado em 1964) e o paquete Satélite, embarcação pertencente ao Lloyd Brasileiro, e alugada ao governo federal em 1910, para trancafiar prisioneiros ao longo do sofrido caminho sobre as águas com destino (oficial) ao desterro na Amazônia. Nenhuma dessas experiências pode ser considerada positiva. Todas produziram histórias tenebrosas. Nos dias em curso, ainda é cedo para uma avaliação consubstanciada do processo de transferência de presidiários, agora remetidos via aérea para sítios distantes de suas ?bases?. Mormente, uma visão geral descortina a suspeita de que tal movimentação apenas provoca curtas interrupções nas redes de comunicação e comando do crime organizado. O caso mais conhecido desse espalhar de ?escritórios? seria as paradas do notório Fernandinho Beira-Mar. Essa política de mudança de endereço é um paliativo para os grandes problemas do sistema prisional, no qual a construção de presídios batizados como ?de segurança máxima? tem sido apenas sinônimo de gastos máximos em obras duvidosas e onde o apenado é premiado com 100% do tempo ocioso, livre para pensar, articular e encaminhar o que bem entender e devidamente sustentado pelo dinheiro público.

Relacionadas