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PAX ROMANA E PAZ P�BLICA

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Segundo narra Salústio, visitava Roma o jovem príncipe númida Jugurta e com tudo se encantava: suntuosas edificações que contemplavam diversas atividades públicas,como o Fórum Romano; o Coliseu; o Palatino; os Mercados de Trajano; os aquedutos e, sobretudo, uma atividade humana singular, até então somente existente em Roma: o Direito. Nas termas de Caracala, Jugurta não se conteve e exteriorizou efusivamente o seu deslumbramento diante de tamanho avanço das artes humanas. Qual não foi a sua surpresa ao receber de um grupo de aristocratas que ali se banhavam uma sentença que entrou para a história: ? Roma omnia venalia esse (Em Roma tudo está a venda). A Grécia nos deixou a Filosofia, a democracia e a Medicina, mas Roma nos legou a Lei e o Direito. O inspirado Adriano introduziu conceitos ainda hoje vigentes, como a de que a Lei não se divorciava da moralidade e a culpa residia na intenção e não nos resultados. Ulpaniano, no século 3 preconizou: ?pela lei da natureza todos os homens eram iguais?. Para alcançar aquela dimensão extraordinária, Roma utilizava sem maiores pruridos a Pax Romana ? vendida como uma dádiva dos deuses que teriam trazido os Romanos para iluminar o mundo ?, método pelo qual, à custa de autoritarismo e das armas, instalou um longo período de paz, ordem e progresso, iniciado por Augusto em 29 a.C. e findo com a morte de Marco Aurélio, em 180 d.C., extensivo a todos os recantos sobre os quais tinha domínio. Dando rápido corte para os tempos atuais,o julgamento do mensalão nos traz o desnudamento do grupo que assenhoreado do poder ou mesmo antes de chegar lá, se auto proclamava apto a iluminar ? com ética, sobretudo, se não o mundo, mas o Brasil, terra tão entregue aos vendilhões da pátria quanto a Roma que encantou e desencantou Jugurta. Expostas as vísceras do grupo comandado por José Dirceu, no qual não se reconhece aquele líder estudantil que a tantos enfeitiçou naqueles tempos de adolescentes paixões e idílicas utopias, vê-se claramente que jamais existiu no julgamento do mensalão nada além do que o uso escorreito e aprimorado do Direito e do Sistema Judiciário no País. Esse histórico julgamento deixa-nos como legado a possibilidade concreta do combate à impunidade e que a lei é para todos e conceitua-se objetivamente a paz pública, sensação indispensável para o cidadão não se sentir um eterno idiota.

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