Opinião
Revitalizar (ainda) � uma bela ideia
Uma boa ideia nem sempre é garantia suficiente para o sucesso de projetos nela apoiados, mesmo que sejam feitos com apuro técnico e as melhores das intenções. Este é o caso da revitalização de áreas urbanas consideradas históricas nas cidades brasileiras. O caso mais próximo dos alagoanos a ilustrar esse descompasso é o bairro de Jaraguá. Mas, alhures, noutras cidades e noutros Estados, a toada não tem sido lá muito diferente da daqui. Resultados negativos, quando não desastrosos, são carpidos por quem apostou no ideário revitalizador urbano. Este é o caso da triste realidade da revitalização do Pelourinho, sítio urbano dos mais importantes no Brasil, como se sabe, encravado no centro histórico soteropolitano. O Largo do Pelourinho é um símbolo urbano que ultrapassa os limites da cidade de Salvador e do Estado da Bahia. As imagens do belo casario baiano estão espalhadas pelo mundo todo e até Michael Jackson, através de um clipe em parceria com o grupo Olodum, contribuiu para a consolidação da fama globalizada daquela área. Milhões de reais em recursos públicos, somados a outros grandes volumes de recursos privados, foram derramados pelas ladeiras, calçadas e casarios do Pelourinho em benefício da revitalização do perímetro também eternizado pelas imagens finais do filme Dona Flor e Seus Dois Maridos, uma das películas brasileiras mais vistas em todo o mundo. E parece ter sido escorrida em vão essa enxurrada de dinheiro. Além do triste destino do investimento público, é triste e lamentável comprovar-se (mais uma vez) o desperdício dos investimentos privados, mui especialmente aqueles dispendidos (através de empréstimos, na imensa maioria dos casos) pelos empreendedores de pequeno e médio porte que acreditaram no sonho da revitalização dos negócios localizados nesses perímetros revitalizados. Com tantos prejuízos espalhados Brasil afora e considerando a permanência de tantos potenciais semelhantes, assim como reconhecendo com uma ótima ideia a revitalização dessas áreas urbanas históricas, a pergunta que precisa ser respondida é: onde se errou nesse caminho? Refazê-lo, e não abandoná-lo, é a decisão correta a ser tomada. Também em nosso bairro de Jaraguá.