Opinião
Uma bomba contra a cidadania em Macei�
Para alguns, pode parecer até engraçado, para outros, um gesto justificado, mas a verdade é que a explosão provocada no banheiro de uma clínica médica em Maceió se trata de um fato grave, gravíssimo. É pura ingenuidade, ou má-fé, usar-se as deploráveis condições de atendimento ao público como justificativa para este tipo de atitude criminosa. Felizmente, ninguém saiu ferido ? mas foi por puro acaso. Os efeitos de um artefato explosivo capaz de produzir os estragos demonstrados pelas fotos do banheiro (literalmente) detonado são capazes de causar graves danos a quem quer que estivesse naquele local no momento da explosão. Esta é a questão incontornável, indiscutível. A bomba, e não é ainda um petardo do tipo granada militar, dinamite, TNT, ou outras coisas terríveis, é um primeiro passo. É um sinal de que algo de muito perigoso já não paira no ar, mas está pousando em meio à sociedade alagoana. Em verdade, a tese de que o prejuízo causado ao público é uma forma legítima de protesto pode ser encontrada em formas menos letais nas recorrentes ações promovidas com o intuito de tumultuar a vida da população. Num instante, são vias interditadas nos momentos de rush, noutros, é a depredação de bens de uso público (ou propriedades públicas)... E os desmandos vão acontecendo e sendo perdoados; e, abonados, tendem, inexoravelmente, a aumentar de calibre. A bomba que estilhaçou o banheiro da clínica médica em Maceió é, portanto, apenas um aviso: a situação está perigosamente fora de controle. E esse é um evento afeito à área da segurança pública, onde a realidade geral continua periclitante. Espera-se o esclarecimento do ato criminoso e o consequente encaminhamento jurídico desse inquérito. O grande perigo é esse tipo de ?protesto? virar moda, espalhando a visão deformada que tal coisa pode, até, ser vista com bom humor. Não se pode olvidar que uma bomba é potencialmente um artefato letal, tão mais danoso quando detonado em ambientes públicos ? e isto não pode ser tido como uma brincadeira jamais.