Opinião
Assist�ncia � mulher
Continua repercutindo no País a nova crise na área da saúde pública em nosso Estado. Trata-se da suspensão do atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) pelas duas únicas maternidades de referência para gestantes e bebês em risco de vida, por causa da superlotação. E mais uma vez, são retomadas as queixas quanto à falta de investimentos para os setores essenciais como este. E elas devem continuar até surgirem as soluções necessárias e reclamadas de há muito. Problemas como este, que dificultam a redução dos índices de mortalidade materna e infantil no País, principalmente nas regiões mais pobres, podem ser resolvidos logo. Desde que sejam reforçados os investimentos para a assistência pelo SUS, do qual depende a maioria da população no País. A necessidade de ações direcionadas ao segmento feminino da sociedade, ainda na área da saúde, acaba de ser novamente evidenciada com o levantamento divulgado pela Divisão Populacional da Organização das Nações Unidas. Ele mostra o Brasil dividindo com a China e a Índia a liderança no ranking mundial de esterilizações. Em todo o mundo, a ligação de trompas é utilizada como método contraceptivo por 20% das mulheres. Os números da realidade brasileira são maiores. Uma pesquisa realizada no Brasil, em 1996, revela que 44% das mulheres casadas já se submeteram à cirurgia de laqueadura. E um quinto delas tem menos de 25 anos, apesar de existir uma lei, a partir de 1996, proibindo a esterilização de mulheres nesta faixa etária que não tenham pelo menos dois filhos. Como bem lembrou, há poucos dias, a deputada Jandira Feghalli, integrante da bancada feminina da Câmara Federal, muitas mulheres continuam a ser esterilizadas por falta de atendimento e até de conhecimento de outros métodos contraceptivos. Ainda, segundo ela, não existe um programa prioritário de governo dirigido às mulheres. E muitas optam por este método porque temem uma gravidez indesejada, não têm creche para botar o filho, nem emprego e são abandonadas pelo marido. Um relatório que o próprio governo divulgou esta semana destaca alguns avanços importantes nos últimos 17 anos em relação à mulher. Mas também informa, por exemplo, que 40% das trabalhadoras brasileiras ainda ocupam posições precárias no mercado de trabalho e continuam ganhando menos do que os homens. O que não dizer, diante do aumento de casos de gravidez precoce, da situação em que vivem as mães mais carentes, sem emprego, nas comunidades mais empobrecidas do País?