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Dia de saudades, mas algo al�m da tristeza

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Conta-nos a história escrita que, na banda ocidental do mundo, desde o século 2, os cristãos escolhem um dia para rezar pelos mortos. A partir do século 13 é fixado 2 de novembro como a data dedicada aos que morreram. Enfim, são pelo menos seis séculos ao longo dos quais o segundo dia do penúltimo mês do ano tem esta marca: a lembrança dos que já se foram. Como tantas outras referências, a data não é reconhecida como canônica por outros ramos da fé cristã, como os protestantes. Mas, graças ao peso expressivo da Igreja Católica, ao longo dos séculos, este dia findou incorporado ao calendário cultural, efetivo, em boa parte dos países ocidentais. O hábito de reverenciar a memória dos antepassados cristalizou o dia de hoje como um momento solene, sagrado ao modo de cada crença. Em verdade, 2 de novembro é um dia da celebração da vida, por meio da lembrança dos que já se foram. Os gestos em tributo aos mortos não se restringem ao sentimento de perda, mas, nas lições vívidas deixadas nos corações e mentes dos que estão a prestar homenagens. No México, em particular, a tristeza foi expurgada das comemorações do Dia dos Mortos, graças ao sincretismo entre os conceitos cristãos e as crenças autóctones. As festividades indígenas convergiam para um festival presidido pela ?Dama da Morte?, a deusa Mictecacíhuatl, nas quais crânios humanos eram largamente usados como ícone para tais eventos. Após o domínio europeu, a poderosa Igreja Católica hispânica fez tudo que estava a seu alcance para extirpar essas baladas pagãs, mas o máximo que conseguiu foi incorporar a pândega dentre as comemorações do dia 2 de novembro. A data é considerada hoje uma das festas mexicanas mais animadas, uma espécie de carnaval, onde a folia é presidida por figuras fantasmagóricas e até os doces distribuídos às crianças são caveirinhas confeitadas. Não precisamos chegar à farra mexicana, mas nunca é demais afastar a melancolia, que teima em avançar neste dia. Afinal, em vida, essas pessoas queridas desgostariam de ver os seus tristes, não é?

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