Opinião
VAMOS PRESERVAR O BELO
O que inspirou a transformação do ambiente paisagístico integrado na nossa hoje conturbada Avenida Fernandes Lima? Quando criança costumava passear de bicicleta com vários amigos parando muitas vezes para observar aquele imenso jardim emoldurando aquele imponente prédio. Naquelas ocasiões fazíamos planos para um dia pertencermos aquele complexo que nos impressionava pela sua grandeza histórica e pela sua beleza arquitetônica e paisagística. Hoje com o trânsito caótico daquele corredor serve de deleite para os passantes, principalmente na hora do rush, apreciar aquela paisagem que humaniza parte dessa tradicional Avenida. De quem partiu a ideia? Aceitamos que a insegurança é um fato que nos rodeia e nos intimida. Porém, levantar os seus muros destruindo o belo e subtraindo a população não só da paisagem, mas de parte da história da nossa terra não é a meu ver o caminho mais sensato a ser seguido. Custa-me crer que o idealizador tenha raízes fincadas e comprometidas com a nossa terra, pois todo verdadeiro alagoano sempre se orgulhou de ter acesso visual a uma das mais respeitadas instituições do Brasil, qual seja o glorioso Exército Brasileiro. Como arquiteto, urbanista e paisagista, levanto uma bandeira, na certeza de que, assim como eu a grande maioria dos que amam e preservam a história da Terra dos Marechais se sente ultrajada por esta monstruosidade arquitetônica e subtração paisagística, nos deixando apreensivos se a justificativa, tem como pano de fundo, a insegurança que assola o Brasil. É justo intimidar o banditismo sacrificando por sua vez a grande maioria pacífica da nossa população? Este complexo sempre fez parte da história da nossa terra. Finalizando, coloco para reflexão de todos os alagoanos e em particular os idealizadores daquela aberração, mais apreço, não só com a nossa terra, mas principalmente com a bela página escrita pelo glorioso Exército Brasileiro. A história de um povo também se caracteriza dentre outros tantos com a preservação de detalhes dos monumentos construídos em épocas passadas. O último muro que foi construído para segregar pessoas foi, num passado recente, destruído em nome da convivência humana.