Opinião
POSTES E P�NICO
Um poste ganhou as eleições em São Paulo. Bem verdade, um poste trapalhão que já andou borrando o Ministério da Educação. Não há do que reclamar. Foi uma eleição livre. O jogo é pesado. Todos usam as armas disponíveis. O cara (o candidato) muitas vezes posa de bom moço, mas os amigos se encarregam de estraçalhar moralmente o adversário. Lula, que dividiu com Maluf e dona Marta a paternidade da vitória do poste, não está com essa bola toda. Em pelo menos duas capitais sua gana de vencer fracassaria de forma dolorosa. Não estou falando de Recife, Porto Alegre ou Fortaleza, onde seus candidatos amarelaram. Refiro-me a Manaus e Salvador. Nestas cidades, o ex-presidente expressaria narcísicas mágoas pessoais contra os ferrenhos opositores do PT. É que Artur Virgílio e ACM Neto, além de inimigos do mensalão, tinham um histórico de ameaças físicas ao chefe de Dirceu, Valério e Delúbio. Por isso, Lula tinha como questão de honra impingir exemplar derrota aos ousados. Queira-se ou não, contudo, o ex-presidente foi a grande estrela dessa última eleição. Superou-se. Embora com sinais de deterioração física e psíquica, mostrou fôlego de mensaleiro, digo, de gato. Com efeito, sua voz, muitas vezes, saía espremida como um miado nasalado de um felino. O conteúdo, distorcendo a realidade, pouco mudou. Recalcitrante contorcionista da história, não se conforma de ter sido arrasado pelos oponentes em três pretéritas eleições presidenciais. Um obcecado que, não obstante as conquistas vindouras, não perde a oportunidade de destratar os que o dobraram eleitoralmente. Nesse aspecto (mais uma vez), um desleal. A grande e irrecorrível verdade é que a vitória em São Paulo não foi um cataplasma capaz de aplacar o fogo que aniquila a alma e o cirrótico fígado do ético PT. Nossos queridos companheiros condenados, ou não, pelo STF estão injuriados. O sentimento é de revolta, sobretudo pela incomensurável ?ingratidão? dos ministros. Afinal, pelo menos sete ou oito foram por eles indicados. Ah, se arrependimento matasse! Sequer olhariam para o ?famigerado Barbosão?. A decantada ?moral do proletariado? tirou a máscara. É que Valério não tem o phisique du rôle para mártir de revoluções bolchevistas. É um financista heterodoxo desnudo da farsa de bravatas ideológicas. Condenado a 40 anos, a intenção de negociar a liberdade por dados sigilosos vem causando pânico. Até nos postes.