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JUDICIALIZA��O DA MEDICINA: BENEF�CIOS E RISCOS

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? Passei várias noites com minha mulher se acordando assustada durante a madrugada porque eu, mesmo dormindo, estava dando bicicletas na cama! ? A fila é uma manifestação democrática! Por mais que digam que não, porque na fila estão o servente de pedreiro, o promotor, o auxiliar de serviços gerais e o desembargador, todos posicionados de acordo com a hora de sua chegada. ?Bomba explode em banheiro de clínica médica destruindo grande parte de suas instalações. Felizmente, não houve vítimas, pois a explosão ocorreu após encerrado o expediente?. Essas ocorrências que parecem bizarras e não ter relação entre si, têm sim: as colocações foram feitas por duas autoridades judiciárias muito respeitadas em Alagoas, sábado passado, em simpósio sobre Judicialização da Medicina promovido pela Santa Casa, e a bomba explodiu essa semana em uma clínica em Maceió. Quem estava tendo pesadelos era o magistrado Jerônimo Roberto, isso porque em sua Vara se acumulava um monte de processos pedindo procedimentos médicos urgentes. Quem declarou que a fila é democrática foi o procurador Antiógenes Lyra. Demonstrou que o reprovável em uma fila é quando ela é furada indevidamente, quando o cidadão que não é idoso, nem deficiente, mas que se acha superior aos outros, que chegaram cedo e estão aguardando há tempos, passa na frente dos demais. Já a bomba, além dos prejuízos materiais, poderia ter causado vítimas. Não é apenas um ato de revolta de um paciente frustrado e perturbado, é uma coisa de radicais extremistas, totalmente condenável. O linhame desses acontecimentos: a deficiente situação de assistência médica no País, que pode ser consideravelmente agravada com a Judicialização da Medicina. Como os recursos destinados ao atendimento médico são poucos, quando os defensores públicos, promotores, juízes expedem um mandado determinando que em 72 horas sejam atendidos esses e aqueles casos, podem estar salvando vidas, mas também podem estar autorizando um procedimento supérfluo, que retirará recursos que salvariam outras vidas. Explodem em todo o País ações judiciais determinando que seja feito esse ou aquele procedimento imediatamente pelo SUS. Os operadores do Direito, por bem intencionados, não tem o indispensável conhecimento médico e precisam, sim, de uma câmara técnica consistente, que lhes dê o necessário suporte para suas determinações poderem ser justas para os postulantes, mas também para os muitos que estão na fila, aguardando sua vez. Como o financiamento da saúde é infinitamente menor que o necessário, é preciso que o Judiciário seja, além de eficiente, salomônico.

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