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Em desvantagem frente ao crime organizado

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Durante longo tempo imperou a compreensão de que Estados menores, e bem mais pobres, como Alagoas, seriam os campeões em assassinatos no País, desbancando com tenebrosa folga unidades mais ricas e populosas como Rio de Janeiro e São Paulo. Em verdade, esta tese é uma meia mentira. Uma série de fatores ?matemáticos? passaram a ser incorporados aos processos de cálculo e de análise dos frios números obtidos nas morgues espalhadas pelo Brasil afora. Fato ou boato, tinha-se como certo que, para efeito de contabilidade funérea, homicídios eram contados em separado dos latrocínios, o que daria um alívio contábil para os grandes centros, lugares onde o assalto seguido de morte são amplamente majoritários em relação ao assassínio puro e simples. Versões à parte, o fato é que, desprezando-se os números absolutos, as atenções foram centralizadas nos algarismos relativos, nos percentuais. O que teve seu lado positivo, reconheça-se, pois cuidados e investimentos especiais estão sendo carreados para o indispensável auxílio extra a Estados reconhecidamente pobres e violentos (como Alagoas). Mas é incontornável o fato de que os maiores males do crime organizado são infligidos nos grandes centros. Até porque o que dá certo para o crime organizado nas megalópoles é exportado, mais cedo ou mais tarde, para todo o País. Portanto, o que acontece de ruim em grandes cidades como Rio e São Paulo é perigo nacional. Neste sentido, é extremamente preocupante a notícia de que 89 policiais militares teriam sido mortos neste ano no Estado de São Paulo. E essa onda criminosa, afrontosa, teria se intensificado nos últimos dias. Em bom momento arrefecem as querelas partidárias que obstaculizam a implementação de políticas articuladas entre governos locais e federal. Essa ação conjunta é necessidade imperiosa, apesar de, por si só, não ser a panaceia capaz de resolver, num átimo, essa tragédia nacional. Mas desunidos entre as siglas que eventualmente dirigem Estados, municípios e o governo federal, os brasileiros não terão chances nessa guerra contra o crime.

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