Opinião
� POSS�VEL CONHECER ALGO DA EXIST�NCIA DE DEUS?
O título desde artigo é instigante. Estou ainda no marco do Catecismo da Igreja (nn. 31-43), apresentando aspectos do credo católico durante o Ano da Fé instituído pelo Papa Bento 16. O homem, por ter sido criado por Deus e para Deus, traz no seu íntimo o chamado irrefreável a conhecer e amar o seu Criador. Se de antemão o ser humano não se fechar preconceituosamente, descobre ?certas vias? para chegar a um conhecimento da existência de Deus. Observando a natureza, a pergunta espontânea que surge é: ?Donde vem tudo isto? Por que existem estas coisas e não o nada? Donde vem a harmonia das coisas, as leis da natureza que em tudo estão inscritas??. Também se olharmos o ser humano: quanta nostalgia da verdade e da beleza em seu coração; o impressionante sentido do bem moral, com sua liberdade e a voz da sua consciência, com sua aspiração ao infinito e à felicidade. O homem transcende o mundo material: é um poço de sonho e de capacidade de imaginar, sonhar, amar... ?Como semente de eternidade que leva dentro de si, irredutível à só matéria, sua alma sedenta de infinito não pode ter origem senão no Infinito?. Aquele a que chamamos ?Deus?. Assim, ?o mundo e o homem atestam que não têm em si mesmos nem seu princípio primeiro nem seu fim último?, mas que provêm de um Outro, de uma Causa Primeira, eterna, suficiente, infinita, não causada por nada. Se pensarmos nisso sem preconceito, sem má vontade, certamente o coração e a inteligência chegam a intuir a existência de Alguém inteligente, bom, amável, onipotente, respeitoso de suas criaturas, de quem tudo provém, em quem tudo encontra seu sentido último e para quem tudo caminha. Infelizmente, esse conhecimento natural e espontâneo de Deus encontra obstáculos: (1) Deus ultrapassa totalmente as coisas sensíveis. Num mundo empanturrado do tocar, do ver, do medir, do possuir, vamos embotando nossa capacidade de respirar o Eterno, de sonhar com o Infinito que escapa aos nossos sentidos exteriores. (2) Crer na existência de Deus não é algo simplesmente teórico: traz consequências para a vida prática, exigindo mudança, compromisso com o bem e abandono do mal. Aí topamos com o orgulho, o egoísmo e o comodismo do coração humano, com sua inclinação para o mal. E ?os homens, em tais questões, facilmente procuram persuadir-se de que seja falso ou ao menos duvidoso aquilo que não desejam que seja verdadeiro?. Uma coisa é certa: ainda que se possa chegar a um conhecimento racional da existência de Deus, sem a graça que abre o nosso coração e nos enche de boa vontade, na prática tal percepção é impossível! Fechados, obtusos e presunçosamente cegos, gritaremos: ?Deus não existe!?. E sussurraremos bem baixinho, para que nem mesmo nós escutemos: ?Não existe, porque eu não quero que Ele exista!?.