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A f� e a cren�a na democracia

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Num mundo cada vez mais afetado pela intrusão dos fundamentalismos religiosos nas relações seculares, alguns acontecimentos merecem ser olhados com muito mais atenção. No Egito sacudido por tremendos atritos políticos, onde misturam-se batalhas partidárias e guerras santas entre facções da crença majoritária na região, o islamismo, uma variante das mais antigas do cristianismo, realizou, há poucos dias, a escolha para seu máximo pontífice num processo antiquíssimo, tão particular que chamou a atenção dos estudiosos. Os procedimentos litúrgicos que atraíram os olhares de teólogos e historiados foram os ritos de escolha do Papa da Igreja Ortodoxa Copta do Egito. A tradição reza que esta congregação teria sido fundada pelo apóstolo Marcos, aproximadamente no ano 60 d.C. Um racha no Concílio de Nicéia, em 451, provocou a separação da Igreja Copta das demais crenças cristãs. Lembrando um pouco alguns detalhes utilizados pelos chamados lamaístas, uma criança é ungida como a emissária da mão Divina e, no caso copta, um garoto, de olhos vendados, pega um dos papéis recortados e espalhados pelo chão. Cada um desses pedaços de papel contém o nome de um bispo; o nome apanhado por essa criança é o do novo Papa Copta. Tawadros é o nome do novo Sumo Pontífice copta. Ele terá pela frente grandes problemas e perigos dignos de nota. O movimento inapropriadamente batizado pela mídia ocidental como ?primavera árabe? tem demonstrado uma face tão ou mais tirânica que os ditadores por eles derrubados. No caso do Egito, as indefinições no pós-Mubarack indicam um fortalecimento nítido das correntes fundamentalistas islâmicas, num quadro, onde, pela primeira vez em décadas, a comunidade cristã egípcia tem sido vítima de discriminações e violências crescentes. A própria longa história dos coptas, e sua sobrevivência (apesar das muitas ondas de perseguição) ao longo de 16 séculos deveria fazer o mundo prestar mais atenção para a necessidade imperiosa da tolerância religiosa ser elegida como um dos pilares da civilização contemporânea.

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