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A D�VIDA DO PREFEITO

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Ele era o prefeito de um município importante do interior. Político admirado, verdadeiro líder da região, respeitado por aliados, eleitores e adversários. Nas muitas batalhas eleitorais que participara, sempre fora tratado com reverência. Na capital, um famoso advogado integrante de um importante escritório acabara de receber um pedido de liquidez de uma velha dívida em nome de Samuel Goulart Barroso. ? Ah, esse eu conheço. É o prefeito de Leão dos Passos; falso moralista, disse o advogado, enchendo o peito de orgulho: peguei o cabra! Chamou a secretária em sua sala e mandou redigir uma daquelas cartas de cobrança que não dão tempo sequer para o devedor raciocinar. Lá na prefeitura, ao abrir o envelope com carimbo vermelho e a palavra ?urgente?, o prefeito Goulart ficou horrorizado. Tinha apenas 48 horas para comparecer ao escritório do remetente e liquidar a dívida, honrar seus compromissos. Como não poderia deixar de ser, a história vazou rapidamente e a cidade inteira já sabia que o chefe do município não gostava de pagar seus débitos pessoais. De repente, já se espalhava que o outrora honrado prefeito não passava de um caloteiro. No dia seguinte, às 8 da manhã, depois de subir três andares de escada, esbaforido, suado, nervoso, o cidadão Goulart chega à recepção do escritório do cobrador. Informado pela recepcionista que o chefe só chegaria mais tarde, disse não ter problema, esperaria quanto tempo fosse necessário. Por volta das dez horas, chega Roberto Candelabro, o temido advogado, falante, conhecido como durão. Ao entrar na sala, o prefeito já se sentiu incomodado com o terrível odor das ?toias? de cigarro acumuladas no cinzeiro sobre a mesa. ? Bom dia! Trouxe caneta e talão de cheque? Se não trouxe, pode se retirar. No que o prefeito humildemente respondeu: vim para pagar a minha dívida, ?excelência?. ? Mas o senhor poderia pelo menos dizer o que é que estou devendo? Ao pedir a ficha para a secretária, o arrogante advogado constatou que Samuel Goulart Barroso não era o prefeito, mas um motorista de uma usina, homônimo do moço que estava em sua frente. Percebendo a enrascada em que se meteu, o advogado abriu a porta do escritório e saiu em disparada gritando: ?socorro, querem me matar...? .

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