Opinião
ADVOGADO OMISSO N�O � ADVOGADO
O bom advogado deve ser independente, corajoso, buscar justiça e lutar contra qualquer abuso de poder. Deve reagir imediatamente ante qualquer ilegalidade ou imoralidade que porventura testemunhe, sob pena de cumplicidade e omissão. Na campanha à presidência da OAB/AL existem opositores à chapa ?OAB Para Todos?, que integraram e integram as elogiadas gestões Marcos Mello e Omar Coêlho, nos cargos de vice-reitor da Escola Superior da Advocacia (ESA) e de conselheiros federais, um deles indicado pela atual diretoria para o Conselho Estadual de Segurança. Época de gestão amiga é época de gestão amiga. A ética nas relações é uma e os elogios aos líderes transbordam. Campanha eleitoral é campanha eleitoral. E aí a ética passa a ser outra, certo? Errado, pois não se molda a ética à cada conveniência que nos possa trazer ganho num dado momento. Ao ver as entrevistas concedidas pelos outros candidatos, impressiona-me a desfaçatez, a capacidade de distorcer a realidade para afirmar que nossa diretoria ?nada fez? pelas prerrogativas dos advogados, que seria ?antidemocrática?, ?despótica?, que decidiria ?a portas fechadas?, que desprezaria o Conselho Seccional e não seria transparente, dificultando a comunicação com os advogados (logo quando nossa página na internet evoluiu significativamente e a interação com a categoria melhora a olhos vistos). Voltando ao início deste texto, digo que, ao contrário do que pensam os que estiveram ou estão integrando a atual gestão, e injustamente a criticam, ao agir assim, eles estão agindo contra si mesmos, pois se tiveram ou têm cadeira na OAB, por que não ?renovaram? a ESA, por que não denunciaram o ?nada? das prerrogativas, por que não denunciaram logo à imprensa a ?falta de democracia?, ?reuniões lacradas? e ?falta de transparência? ? Se já na universidade deveriam ter aprendido a indignar-se em relação a ilegalidades e tirania, por que, advogados conceituados, não agiram, tempos atrás, com independência e coragem frente aos supostos abusos de poder que hoje alardeiam e condenam? Por que não deixaram seus cargos e, mais do que deixá-los, por que não adotaram medidas contra as práticas nocivas que ocorreriam sob seus narizes? Se justiça tardia não é justiça, advogado omisso não é advogado. Ao menos na lógica dos que pensarem da mesma forma que eu.