Opinião
SALVOS DO FURAC�O
Martinho Lutero apenas quis conscientizar o povo do furacão ?pecado? naquela véspera de Finados. Ele não queria fugir para outra cidade, outra igreja, mas só alertar. Se para a maioria virou o dia das bruxas, halloween ? outra ventania com olho esotérico impulsionada pelo comércio ?, o 31 de outubro foi escolhido pelo monge alemão para questionar as indulgências na mídia e dizer, já na primeira tese das 95: ?Quando o nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo disse: ?Arrependei-vos?, ele quis que toda a vida dos cristãos fosse um só arrependimento?. Ou seja, nada adianta só na hora do ciclone. Por isto, o escabroso mercado do perdão dos pecados por dinheiro precisava de um alerta máximo ? o ?mensalão? que se infiltrou na igreja para obter os votos divinos. Aliás, uma ameaça constante quando tudo gira em torno dos cifrões, outro furacão que tem o olho na cobiça. Na verdade, crentes de qualquer denominação sempre serão tentados em negociatas capitalistas com o céu ? por prosperidade material, bênçãos, cerimônias, bens e serviços religiosos. É preciso perceber que o comércio da terra com o céu, por práticas institucionais ou pessoais, sofre por barreira intransponível no embargo do Criador desde aquele dia quando surgiu o furacão dos furacões. Lutero não quis ficar sozinho ao ser resgatado. Nem buscou notoriedade. ?Eu peço que se silencie acerca do meu nome e ninguém se denomine luterano, mas, sim, cristão. Quem é Lutero? A doutrina não é minha, e, também, não fui crucificado por ninguém?, reclamou alguém que só queria precaver o povo que ignorava o perigo eminente. Por isto, a tese 32: ?Serão condenados em eternidade, juntamente com seus mestres, aqueles que se julgam seguros de sua salvação através de carta de indulgência?. Mais tarde, Lutero comporia o Castelo Forte inspirado no Salmo 46: ?Deus é o nosso refúgio e a nossa força, socorro que não falta em tempos de aflição. Por isso não teremos medo ainda que os mares se agitem e rujam?.