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Opinião

Apostando numa chance de paz

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É audível um suspiro de alívio, correndo o Globo, pela vitória de Obama. Ou melhor, pela derrota de Mitt Romney nestas eleições americanas. Tão grandes eram os riscos alardeados pelo furibundo discurso republicano que, mesmo quem se desagrada da política democrata, amainou, ou silenciou, suas críticas ao comedimento do primeiro negro a ocupar a Casa Branca. Mais guerra, mais prepotência, mais miopia social são tudo o que o mundo não quer para esta quadra de tempo tão explosiva e fértil em crises internacionalizadas. E à única superpotência do Planeta nesses tempos em curso estão colocadas imensas responsabilidades, tantas e tão complexas como, talvez, nunca antes em sua história, os Estados Unidos da América tiveram pela frente uma combinação tão letal de demandas geopolíticas radicalizadas, somadas à crise econômica e a uma realidade de isolamento nas decisões (dividir com quem? Em quais condições?). Em tempos pretéritos, o mundo não teve do que reclamar dos republicanos em termos de gestos marcantes em favor da paz, como duas grandes realizações do governo de um dos republicanos mais execrados pela opinião pública mundial, Richard Nixon. Não se pode olvidar que foi sob a égide de Nixon que se concretizou a aproximação entre Washington e Pequim; e teve fim a terrível Guerra do Vietnã (iniciada durante a gestão democrata de John Kennedy & Lyndon Jonhson). Dispensados assim os preconceitos contra os próceres do Partido Republicano, faz-se indispensável salientar que os conceitos expressos pelo então candidato Mitt Romney eram efetivamente belicistas em relação a áreas já suficientemente explosivas, como o Irã, assim como no cenário interno espelhavam um ideário conservador ao extremo. É indispensável não se esquecer que alterações radicais nesses rumos têm o condão de afetar o resto do mundo. Obama não é o herói salvador do mundo, nem o arauto da paz, muito menos o inventor da panaceia contra a crise econômica. Mas, nas circunstâncias atuais, é uma espécie de fiador contra um desastre dantesco, de proporções planetárias.

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