Opinião
OPINI�O PESSOAL
? Mesmo se me convenceres, não me convencerás! A frase tornou-se clássica como referência de intransigência em questões de opinião e postura pessoais e surgiu em uma peça do comediógrafo grego Aristófanes, 400 anos a.C. Infelizmente, as posições de extremada ortodoxia nessa questão, ao longo do tempo, não apareceram apenas nas peças teatrais e nos filmes de Woody Allen. Assim, em um mundo a cada dia mais inundado por informações por todos os lados, ter uma opinião pessoal criteriosamente equilibrada deveria ser uma coisa simples. Ou talvez, seja justamente o excesso de informações que torna tudo mais complicado. Por outro lado, a metamorfose ambulante observada no palco da encenação política, não representa amadurecimento nem tolerância, como na recente eleição norte-americana, quando Mitt Romney, no afã de ganhar a indicação do Partido Republicano para ser o indicado a enfrentar Obama, abandonou uma história de moderação para assumir o ideário grotesco do Tea Party. Felizmente, deu no que deu. Em Brasília, na Câmara dos Deputados, um dos debates principais da semana foi a distribuição dos royalties do pré-sal. O primeiro parlamentar a pedir que eles fossem direcionados para a Educação foi o então senador Tasso Jereissati; o maior opositor foi o hoje ministro da Educação, Aloizio Mercadante. Foi outro gênio da literatura, o poeta Paul Valéry, quem melhor traduziu essas posturas trêfegas não só dos políticos, mas também de tantas pessoas com quem convivemos no dia a dia, quando afirmou que muitas vezes as objeções nascem do simples fato de que aqueles que as fazem não são os mesmos que tiveram a ideia que estão atacando. Conviver com ideias contrárias é difícil. Sempre queremos estar certos e se agimos de acordo, ficamos firmemente pétreos. Mas é preciso estar aberto a pelo menos ouvir as outras pessoas e admitir que podemos estar errados. Se queres convencer os outros, deves parecer pronto a ser convencido, afirmava Chesterfield. Logo, o que está em jogo agora no STF, com a postura a cada dia mais intolerante e inflexível do ministro Joaquim Barbosa, quando contrariado, é a sua sustentação como futuro presidente da Corte: isso pode torná-lo refém dos que, mesmo sem possuir as suas convicções e sua independência, tem no artifício da frieza e da astúcia uma arma poderosa.