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JOS� MARQUES, ENTRE O FAZER E O PENSAR

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Fluía 1985 e o Brasil vivia a redemocratização. No curso de Comunicação Social da Ufal, lá estava eu fazendo o penúltimo ano de Jornalismo. Era tempo de refluxo do movimento estudantil, mas as circunstâncias ainda motivavam turmas para algumas batalhas. Uma delas acabara de ser bem sucedida: a luta para que o Ministério da Educação oficializasse o reconhecimento do curso de Comunicação. Em outro nível, de maior amplitude, o debate acerca da obrigatoriedade do diploma do curso de Comunicação para obtenção do registro profissional de jornalista já sacudia a comunidade acadêmica. A polêmica, ora eivada de argumentos respeitáveis, ora recheada de dissimulação, já se anunciava há quase três décadas como algo longevo em nosso meio. Tal fato é tão verdadeiro que, até hoje, as entidades dos jornalistas buscam a validação do diploma como pré-requisito para o exercício profissional. Foi exatamente no meio dessa controvérsia, há 27 anos, que conheci o professor José Marques de Melo, que nasceu em Palmeira dos Índios e passou sua infância em Santana do Ipanema. De sangue sertanejo, virou jornalista e deu seus primeiros passos na Gazeta de Alagoas, em 1959. Na docência, logo se tornaria referência acadêmica internacional, destacando-se como fundador da Escola de Comunicação e Artes da USP. O alagoano José Marques é um pensador, com dezenas de livros e ensaios publicados. Ocorreu, então, um debate sobre a obrigatoriedade do diploma, travado na Ufal. Com auditório abarrotado, o professor confrontou suas convicções com as do jornalista Caio Túlio Costa, da Folha de S. Paulo, que defendia o fim da exigência do canudo acadêmico. Caio entraria mais à frente na história da imprensa, como primeiro ombudsman de jornal da América Latina. ?Minha geração foi educada de modo a cultivar uma relação harmônica e criativa entre teoria e prática, fazer e pensar, criar e avaliar?, ensina José Marques, ao refletir sobre a ?Metamorfose da comunicação do século 21?, um de seus mais recentes livros. A dedicação à causa acadêmica o diferencia no meio. A atenção dispensada a um congresso de jornalistas no interior alagoano, por exemplo, é idêntica ao efetuar conferência em Portugal, onde refletiu sobre lusofonia no espaço global, em julho do ano passado. Para orgulho de todos nós, José Marques é hoje cidadão do mundo, de pensamento contemporâneo. Agora, no dia 24, na entrega do Prêmio Braskem de Jornalismo, ele vai receber a Medalha Dênis Agra, honraria justa para quem tanto contribuiu com o aperfeiçoamento da comunicação como ferramenta da democracia.

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