Opinião
SEDUTORA, MAS MAL CHEIROSA
São boas as perspectivas do fluxo turístico em Alagoas para a temporada que se aproxima. Aliás, já começou pelo prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad, que optou pelo descanso pós-eleições no nosso incomparável litoral, mais precisamente em São Miguel dos Milagres. O trabalho realizado nos últimos anos entre as entidades do setor e as secretarias de Turismo pode nos proporcionar o retorno dos mercados argentinos e chilenos, atraídos pelas ofertas da rede hoteleira do Estado. Vindos pelo oceano, espera-se cerca de 50 mil rápidos visitantes que desembarcarão de 13 navios; são os chamados ?turistas das poucas horas? sem tempo de consumir como esperam os artesãos, taxistas, hotéis, restaurantes e o comércio. Mas, nem tudo é um mar de rosas. Anos atrás, lideranças do segmento conseguiram encantar muita gente no exterior e trouxeram para cá voos da Europa e da América do Sul. A campanha de captação desse cobiçado mercado internacional fascinava pelas fotos, filmes que mais pareciam uma réplica do Caribe encravada em plena costa alagoana. Convencidos de que o paraíso realmente existia, os charters foram finalmente direcionados para o nosso destino. Maceió veio a receber a elite do turismo internacional. O sonho, porém, não foi duradouro porque esse público considerado classe A não aceita esgotos a céu aberto, línguas negras flutuando no mar; não aceita falta de lixeiras nas vias públicas e praias; não concebe insegurança. Foi o suficiente para que nas temporadas seguintes o turista vindo do exterior se limitasse às classes B e C; mais tarde D e depois as operações ficaram escassas. Tempos atrás, numa reunião do governo com o trade, foi solicitado dos empresários três prioridades para alavancar o desenvolvimento do turismo em Alagoas e a resposta foi unânime: saneamento, saneamento e saneamento. Os anos passaram e os problemas se arrastam. Em Cruz das Almas, a rede de coleta de esgoto foi concluída, mas não interligada ao emissário submarino. O grande crescimento habitacional e comercial da região vai transformando o trânsito num caos. A urbanização até Jacarecica, melhoria da malha viária, asfaltamento de ruas e ampliação de ciclovias prometidas pelo prefeito, não passaram de promessas. Maceió, para evoluir como destino turístico, precisa seduzir pelo olhar, olfato e paladar.