Opinião
Novamente, a deseduca��o
Como já pode ser considerada praxe, a rede pública de educação paralisa suas atividades por tempo indeterminado. Decisões judiciais poderão interpor-se ante o movimento anunciado como forma de evitar o prejuízo maior. A estudantada e o futuro do Estado pagarão uma conta terrível. Novamente, também como está se tornando praxe nas reflexões sobre essa recorrente situação, não se nega ao professorado (e aos demais segmentos de servidores vinculados à rede) o direito de lutar por melhores salários, por planos de cargo e carreira, por segurança em seus locais de trabalho; enfim, as causas são justas e valoroso é o desfraldar dessas bandeiras. A persistente quebra de braço entre governo e servidores da educação tem feito repetir, à exaustão, greves intercorrentes sem que nenhum resultado positivo venha a ser percebido junto a qualquer um dos contendores. Nem a realidade educacional de Alagoas logra melhora significativa (malgrado experiências individuais notáveis, mas excepcionais) nem os sindicatos conseguem avanços pecuniários dignos de nota para suas bases. Enquanto isso, os alunos, seus familiares e a população alagoana, ano após ano, greve após greve, seguem pagando uma conta altíssima. Os índices educacionais são implacáveis. Para além dos números, a realidade aponta uma enorme defasagem imposta aos jovens alagoanos em relação a seus concorrentes vindos de outros Estados. Seja no acesso à universidade, seja na entrada no mercado, os locais penam mais que os demais. A causa dessa desvantagem é óbvia: a realidade educacional daqui flagela, inexoravelmente, a totalidade dos jovens que precisam da rede pública de educação. E não há como contornar uma verdade irretocável: as incessantes greves são também responsáveis por tal descalabro. De quem é a responsabilidade por este contínuo espocar de paralisações? Não adianta querer apontar apenas para as lideranças grevistas. Estas fazem o seu papel: reivindicar e esticar a corda. O governo precisa, com urgência, rever seu papel no processo e mudar, através de seu posicionamento, o rumo desses acontecimentos.