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Opinião

UM SERTANEJO DE DUAS CIDADANIAS

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Os centenários de nascimento de figuras destacadas da vida cultural alagoana têm sido motivo de análises, reflexões e estudos. Assim aconteceram com os centenários de Arthur Ramos, Nise da Silveira, Graciliano Ramos, Aurélio Buarque de Holanda, entre outros. De Arthur Ramos e Nise da Silveira participei das comissões de homenagens, apoiando ações do Conselho Regional de Medicina, sob a coordenação de Emmanuel Fortes Cavalcante. Este ano não há como esquecer o pernambucano Luiz Gonzaga, que pela sua obra musical merece duas cidadanias: a nordestina e a brasileira. Cantando sua aldeia, tornou-se nacional. Na programação da Sobrames, neste segundo semestre, constava uma homenagem a este intérprete de nossa música mais autêntica. Queríamos uma palestra estudo, conduzida por intelectual que conhecesse sua evolução histórica e capaz de cantar suas canções relacionadas às diversas fases de sua vida artística. A professora, mestra de artes, cantora, Adélia Magalhães, preencheu de forma agradável essas expectativas. Não seria exagero dizer que essa reunião virou um uníssono de vozes acompanhando a expositora em seus cantos. Uma república de letras e melodias. Foi bom participar dessa festa de ritmos, de afetividade, nessa globalização do baião de Luiz Gonzaga. Cristalizou-se nele e com ele seguiu nos seus melhores momentos. Um fato na vida de Gonzaga. Odaléia, dançarina, uma mulher da noite, foi sua primeira namorada. Adquiriu tuberculose. Apesar da doença não ter nascido em silêncio, pois ela tossia sempre, resistiu a tratar-se. Quando foi internada, a moléstia já estava em estágio avançado e levou-a à morte. Mãe de Gonzaguinha, também ele foi acometido de tuberculose aos 14 anos. O pai apressou-se em interná-lo e ele conseguiu uma recuperação total. O DNA musical do pai não o fez trilhar o caminho do baião. Nada que a música de um e outro tem em comum. O garoto criado no morro de São Carlos, no Rio, sempre longe do pai, trilhou uma linha urbana: do samba-canção à música de protesto contra à ditadura militar. Estudou Economia, foi instrumentista, compositor e cantor. Ah, Gonzaguinha! Veja o texto dessa canção: ?Viver e não ter vergonha de ser feliz/ cantar e cantar e cantar/ a beleza de ser um eterno aprendiz?. Luiz Gonzaga representou bem o Nordeste. Do Sertão esturricado à fama universalizante desse País continente. Tornou-se um símbolo musical de sorriso aberto.

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