Opinião
Data digna de ser comemorada
Festeja-se hoje o 123º aniversário da Proclamação da República no Brasil. Indubitavelmente, existem motivos para se comemorar, até porque o anacronismo reinol brasileiro era algo esdrúxulo no Novo Mundo, embora não tenha a sido a única experiência de governança não republicana nas Américas. Antes da chegada dos europeus, civilizações autóctones mais desenvolvidas, como maias e astecas, tiveram seus monarcas, assim como as tribos brasileiras contavam com caciques ou morubixabas. Mesmo depois dos descobrimentos de espanhóis e portugueses, cabeças coroadas marcaram presença nas Américas. No ano da independência brasileira, Agustin de Iturbide proclamou-se ?Imperador do México?, mas seu ?poder? não foi além de 1822; já Maximiliano ?imperou? em terras mexicanas de 1863 a 1867 (quando foi executado). E o nosso conhecido Haiti coroou pelo menos quatro reis: Jean-Jacques Dessalines (1804 a 1806), Henri Cristophe (1811 a 1820), Faustin-Élie Soulouque (1849 a 1859) e Fabre-Nicholas Geffrard (1859 a 1867). A monarquia brasileira, de matriz europeia, prolongou-se por 67 anos, garantindo a consolidação dos vícios coloniais e do atraso estrutural brasileiro. Mas legou ao País um inegável e fundamental contributo: a unidade nacional. Não se pode olvidar de que a maioria dos movimentos anti-imperiais brasileiros apontavam para a criação de republiquetas regionais. Sob o comando de dois alagoanos, os marechais Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, a República fez-se sem fragmentar o Brasil, mantendo a grandeza da nação costurada a partir da chegada dos lusitanos. Essa grandiosidade, expressa na dimensão territorial, na unidade linguística, na cultura polifacetada e na miscigenação étnica é uma base gigantesca para que o ?país do futuro? esteja sendo, mesmo atabalhoadamente, construído. Enfim, mesmo tardia e improvisada, a proclamação da República foi a segunda emancipação do Brasil. A tarefa agora é completar o trabalho ? inacabado não apenas desde 1989, mas desde 1822.