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Opinião

PA�S DE CORA��O MOLE

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Apesar da fraqueza moral dos ministros Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli, que não souberam ou não quiseram distinguir gratidão do dever de julgar com retidão e firmeza de consciência, o Supremo Tribunal Federal deu passos amazônicos no rumo do amadurecimento da democracia brasileira. Todos sabemos que a nossa democracia ainda balança em galhos secos, pois não é fácil mudar a conduta de um povo que se habituou a repousar no berço esplêndido da corrupção. Paralelamente a isso, o brasileiro é essencialmente um povo de coração mole, sentimental, quando se trata de infligir a alguém algum tipo de castigo, alguma condenação. Começa pela própria legislação, que fixa uma pena lá em cima, para ser cumprida lá em baixo, como estabelece o Código Penal, que no momento está trocando de roupa no Congresso Nacional. Talvez por causa dessa sentimentalidade é que não existe entre nós a pena de morte, embora ouse afirmar que para certos tipos de crime ela já hoje se faz impositiva, não obstante a dificuldade que seria encontrar o carrasco. O Brasil inteiro, de olhos grudados na televisão, ouvidos colados ao rádio, toda a atenção voltada para a imprensa, assistiu ao desenrolar do julgamento do mensalão, torcendo para que os seus protagonistas fossem condenados, obedecida a gradação da pena de cada um. A imprensa, de modo geral, nem se fala: fomentou e concorreu fundamentalmente para o objetivo colimado pelo Supremo Tribunal Federal que, de forma altamente positiva, celebrou o fortalecimento da democracia, antes mesmo de termos penas definitivas. Agora, a coisa começou a desandar: aquela mesma imprensa que pôs a nu alguns quadrilheiros do mensalão, começa a achar que as penas que já foram impostas a alguns réus são altas demais, fogem do senso comum. Poderia citar alguns nomes de peso que estão pensando de maneira diversa do que apregoaram, mas me limito a mencionar apenas a jornalista Eliane Catanhede, uma das mais respeitáveis colunistas da Folha de S. Paulo, que, com incisividade e contundência, defendia a condenação dos réus, demonstrando nas entrelinhas, inicialmente, certa descrença do Poder Judiciário, desacreditando que o STF chegasse onde chegou, sobretudo por dispor de oito ministros nomeados pelo PT. Num dos seus últimos artigos, disse textualmente: ?Condenar a 40 anos de cadeia quem não feriu nem ameaçou a integridade física de ninguém parece demais. Estão pesando a mão?. Não, Eliane, os partícipes do mensalão feriram a dignidade de uma nação; fizeram escorrer sangue de um corpo já bastante cheio de equimoses e feridas causadas por políticos que vivem encharcados na corrupção, por culpa da legislação e da leniência do Poder Judiciário. Vamos aproveitar esse estado de graça e de coragem que está vivendo o Poder Judiciário, por meio do STF, para pleitear que haja uma modificação na legislação, visando a que esses predadores da pátria não sejam condenados a três, cinco ou oito anos de inelegibilidade, mas, sim, que fiquem impossibilitados de exercer função pública para o resto da vida. Chega de coração mole, brava jornalista!

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