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Opinião

O STF X AVENIDA BRASIL

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Ortega y Gassef, em entrevista, dizia: ?É pura inércia mental supor que à medida que avança a história, é maior o espaço para que o homem se realize como indivíduo. Não! A história está cheia de retrocesso e é certamente a estrutura da vida em nossa época o que mais impede o homem de viver como pessoa?. O que me fez lembrar Ortega não foi a saída da inércia do povo, essa massa invisível, e sim a posição em 2008 do ministro Joaquim Barbosa quando aceitou a denúncia do mensalão, que se estendeu por alguns anos até chegar ao cenário em que está atualmente. Mais uma vez, o Brasil se encontra norteado por um negro, isso mesmo, negro, não vou usar o eufemismo afrodescendente, digo isso porque no passado tivemos Zumbi que acima de sua época já lutava por liberdade, mas que nem por isso deixou de sentir o peso da traição. E no cenário atual, temos um negro com um currículo impecável e merecedor da cadeira que ocupa, e da toga que os internautas dizem que pesa mais que a capa do Batman, quando ele a veste para fazer justiça. Só que, como Zumbi, o ministro Joaquim Barbosa está sendo traído por uma massa que é um pêndulo na mão da mídia, e temos mais um negro a fazer uma história ultra-ativa e não retroativa, uma história para comemorarmos não só no dia 20 de novembro, mas no dia em que a consciência de um negro pôs fim à impunidade no País do ?jeitinho brasileiro?. No entanto, a corte maior do País, o STF, que terá um negro na sua presidência, não um negro de um sistema de cotas, mas um negro que é exemplo de que todos são capazes e iguais e quem coloca as catracas no caminho é o próprio sistema diferenciador. Porém, as decisões do ministro Joaquim Barbosa, que são os louros de uma nova visão de Brasil, ficam na penumbra, colocadas pela própria mídia, onde esta dá mais ênfase a uma ficção chamada Carminha, Nina, Tufão e cia., levando a massa de manobra a parar o País a fim de assistir ao final da novela Avenida Brasil. Infelizmente, na política o povo está acostumado a tudo dar em pizza, em novela. O homem-massa de Ortega tem seu corpo ocultado pelo meio de comunicação, pois a massa nos dias atuais tem um corpo com a força de um elefante, mas não sabe o que fazer com ela, porque se soubesse tinha parado o País, não por uma ficção, mas para aplaudir de pé um negro que mal pode ficar sentado devido às dores na coluna, mas que está ali para fazer valer a justiça enquanto a massa invisível, como no filme Matrix, vive seu mundo virtual aceitando como realidade. ?O futuro pertence às massas?, escreveu Don DeLillo, em Mao II. Felizmente, ele não viveu para ver sua tese sendo destruída pelo poder de alienação do quarto poder.

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