loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

NA CASA DE GRACILIANO RAMOS

Ouvir
Compartilhar

O professor da rede pública Edmilson Silva, vigoroso cadeirante, estava elegantíssimo vestindo passeio completo, a postos lá no fundo do íngreme e superlotado auditório da Casa de Graciliano Ramos em Palmeira dos Índios, museu que é dedicado ao Mestre Graça e que tem ainda vários degraus que dificultam a circulação dos presentes. Mesmo assim, quando o terceiro lugar em prosa foi anunciado o contemplando, ele voou em sua cadeira até a mesa que presidia os trabalhos, sem ligar para os obstáculos, sob o aplauso e o delírio da plateia que lotava o recinto. A entrega desse e outros prêmios ocorreu sexta-feira da semana passada, na Academia Palmeirense de Letras e Artes (Apalca)e encerrava mais um ano de produtivos trabalhos, com a premiação de estudantes e professores do município que participaram de mais um Concurso Literário Rozinha Pimentel. Presente com meu filho Marcos Virgílio, pude observar como, enfrentando todo tipo de dificuldades, mas com muita dedicação e tenacidade se consegue ? em uma época dessas, quando as escolas se veem ameaçadoramente envolvidas por drogas e violência ?, motivar e mobilizar a comunidade escolar para algo tão distante das mazelas de nosso tempo, como a literatura. A cada premiação que se fazia, fosse a prosa ou poesia, a plateia entrava em êxtase: palmas, gritos, torcidas organizadas por professores e por estudantes. Não imaginava poder existir em época tão dura e difícil como essa, em qualquer lugar do mundo, tamanho espaço para a literatura, principalmente em uma cidade pequena como Palmeira. A professora Isvânia Marques e seus confrades da Apalca, com sua envolvente paixão pela literatura, em muito honram o nome e a memória do seu patrono maior, o Mestre Graça, que mesmo não sendo em vida um aficionado declarado de academias, era um homem movido por sincero e delicado afeto. ?Comovo-me em excesso, por natureza e por ofício. Acho medonho alguém viver sem paixões?, dizia. Com Marcos Virgílio, cedinho voltei no outro dia para Maceió, mas não sem antes passar por recantos e lugares que marcaram a minha infância e fazem parte da minha mais preciosa memória afetiva. Absolutamente convicto que Mestre Graça, caso pudesse estar presente, sentir-se-ia plenamente agraciado com as atividades que ora se desenvolvem na Casa que lhe é dedicada. Os devotados membros da Apalca conseguem provar que a literatura é tão importante para o espírito quanto a atividade física o é para o corpo.

Relacionadas