Opinião
O ESPA�O DE UM SORRISO 2
Concluo, neste artigo, a exposição das atividades pastorais do Papa do Sorriso naqueles abençoados 33 dias. Sua posse no serviço do Supremo Pontificado foi no domingo, 3 de setembro de 1978. Na homilia, ele lembrou as palavras de Cristo a Pedro, confiando o pastoreio de sua Igreja e asseverou: ?Iniciamos o nosso serviço, sustentado por vossas orações?, concluindo com a invocação a Maria como Mater Ecclesiae e Salus Populi Romani (Mãe da Igreja e Salvação do povo romano). Ao clero de Roma, sua diocese, dedicou um especial encontro ?com confiança, de irmão para irmão?, em uma de suas primeiras audiências a 7 de setembro, concluindo com as belas palavras: ?Desde que passei a ser vosso bispo, amo-vos muito?. Em 21 de setembro, recebeu em audiência um grupo de bispos dos EUA e de outras dioceses, e depois de lembrar seu predecessor Paulo VI, que tratou com os bispos americanos do Ministério da Reconciliação, a Eucaristia e a defesa da vida, falou sobre a família cristã. A posse na diocese de Roma, na Basílica Lateranense, foi na tarde do 23 de setembro. Lembrou seu predecessor como patriarca de Veneza e como Papa, S. Pio X, que exclamou: ?Que seria de mim, venezianos, se eu não vos amasse??. E daí concluiu: ?Digo aos romanos a mesma coisa e posso assegurar-vos que vos amo e só desejo começar a servir-vos e pôr à disposição de todos minhas pobres forças, aquele pouco que tenho e sou?. Naquela mesma tarde João Paulo I encontrou-se no Capitólio com a administração municipal de Roma, e falou-lhe da esperança cristã na solução dos problemas de Roma. O Papa do Sorriso concedeu cinco audiências nas quartas-feiras de seu breve pontificado. A marca que ele deixou foi de simplicidade e espírito pastoral. Contou histórias, dialogou com crianças e encantou a todos pelo seu jeito novo de ser papa. Em quatro domingos, da janela de seu aposento, como é ainda hoje a tradição, rezou o ?Anjo do Senhor? com a multidão na praça. Na manhã do último dia de sua vida, recebeu em audiência os bispos das Filipinas, aos quais inculcou a responsabilidade da evangelização. À noite, o secretário Pe.Magee levou-lhe a notícia do assassinato de um jovem. O Papa, consternado, comentou: ?Também entre os jovens há mortes!?. Foram suas últimas palavras. Diz o secretário: ?O Santo Padre empalideceu muito e retirou-se para seus aposentos?. Eram 22 horas. Na manhã seguinte, pelas 5h30, o secretário encontrou-o estendido na cama com a luz do abajur acesa. Parecia ler. Mas João Paulo I estava morto com o rosto sereno, com a prega do sorriso, que o mundo amou, mas não teve tempo de apreciar melhor. Esses trinta e três dias foram apenas ?o espaço de um sorriso?...