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JOAQUIM BARBOSA E A DEUSA DA JUSTI�A

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No livro Em Busca de Sentido, Viktor Frankl, narra sua experiência no campo de concentração de Auschwtiz, onde alguns prisioneiros se embruteciam e colaboravam com atos de tortura, agindo contra os próprios companheiros, enquanto outros consolavam os doentes, os acamados e dividiam com eles seu último pedaço de pão. Sua obra faz a apologia dos que, mesmo em circunstâncias as mais adversas, tem a força de decidir qual será a sua postura diante do mundo. Equo animo, Nietzsche referia que os cínicos se escondiam por trás da maldade do mundo para dar assas a própria perversão. Os maus atos alheios justificariam os seus. As dificuldades da vida,agiriam como uma escola, os endurecendo e os transformando em pessoas cruéis. Todavia resistindo ao determinismo negativo, alertava: isso seria ao final, uma opção pessoal. Nietzsche nos ajuda a entender que se a consciência nos faz humanos, a imperfeição é um traço distintivo da condição humana. Assumir isso nos faz mais humildes e o mais importante, nos faz tomar consciência do quanto ainda precisamos nos aprimorar. Os inflexíveis, os perfeccionistas, quando erram, sempre culpam os outros. Ele nós alerta que é inútil querermos fazer tudo certo todo o tempo, ser bons sempre. O mais importante é estarmos prontos a fazer hoje um pouco melhor do que fizemos ontem. O ministro Joaquim Barbosa, que essa semana assumiu a presidência do STF, cuja conhecida e dificílima vida o poderia predispor a ser um sujeito refratário a lei e a ordem ,o levou a ser o oposto: um perfeccionista, aparentemente inflexível em suas posições. Ad cautelam ,todavia, Barbosa, como todos os operadores da Justiça, devem ser necessariamente discípulos de Têmis, a deusa da Justiça. Aquela que se opunha à dominação de um sobre muitos outros. Que apoiava a multiplicidade e a totalidade, mais do que a fragmentação; a integração mais do que a repressão. Aquela que presidia as reuniões políticas obrigando os grandes e poderosos a ouvir de modo consciencioso as objeções e contribuições dos irmãos e irmãs menos proeminentes. Queira Têmis, a deusa da Justiça, que a gestão de Barbosa, referência de integridade, firmeza e independência na árida vida pública brasileira, transcorra de tal forma que ao final, ele continue sendo motivo de orgulho nacional, de engrandecimento do Judiciário e de fortalecimento da nossa democracia.

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