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Opinião

“TU N�O �S O CRISTO? SALVA-TE A TI MESMO E A N�S!” (LC 23,39)

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Neste último domingo do ano litúrgico, a Igreja celebra o Cristo Rei. Ele é Rei! Mas, como é difícil compreender o modo do Seu reinado! O grande engano é que pensamos no Cristo como um rei terreno, com os critérios terrenos: um rei pode tudo, um rei faz como quer, um rei é plenipotenciário! Ora, o modo do Cristo reinar é totalmente diverso. Recordemos que é na cruz que Jesus é reconhecido como rei: no titulus crucis, colocaram ?Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus?! O reinado de Cristo é marcado pelo sinal da cruz: ele é um rei crucificado, é rei porque se deixa entregar, porque está disposto a entregar a vida por nós. Cristo coloca-Se como Rei numa outra dimensão, num outro sentido: Ele dá a vida ? este é o seu serviço. Daqui decorrem algumas considerações interessantes, oportunas para a nossa meditação: (1) Cristo exerce Seu reinado no mundo, propondo, convidando. Ainda hoje o Evangelho aparecerá como fraqueza e loucura de Deus, como um grãozinho de mostarda! O Evangelho deverá sempre proposto, nunca imposto, nunca suposto! A Igreja, serva e discípula do Cristo Rei, deverá prestar sempre o humilde serviço do Evangelho, sem empáfia, sem impor, sem supor que o mundo já está evangelizado! É necessário ?re-partir?, recomeçar, humildemente, como se fosse a primeira vez! (2) Deste modo de reinar de Cristo, podemos compreender também o modo de ver e avaliar o mal e o pecado do mundo. Por que o Senhor permite? Por que não destrói os ímpios e elimina o mal? Ele não é Rei? Ele não pode tudo? Por que parece que seu Reino é um reinado de nada? Ora, Cristo é Rei precisamente porque deixou-Se crucificar para não ferir nossa liberdade. Cristo é Senhor de tudo, mas seu senhorio é onipotente, não prepotente! Ele respeitará sempre nossa liberdade, nossa decisão de acolher ou não Sua Palavra, Seu apelo. Um dia, a glória de Cristo brilhará de modo claro e cristalino, mas num modo que nossa liberdade jamais será ultrajada ou negada! O Senhor, que nos criou livres, respeitará sempre nossa liberdade... E aí está a grandeza de sua glória! (3) Proclamar o Cristo Rei convida-nos a pensar no sentido da autoridade, sobretudo na Igreja: ?Entre vós, não será assim!? ? A advertência é seríssima! Jesus alerta àqueles que vão exercer um papel de liderança na Igreja a não procederem com os critérios da autoridade mundana. Nada é tão demoníaco quanto a autoridade exercida como poder de mandar e não como dever de dar a vida! O poder exercido em nome de Cristo deve ser exercido no Espírito de Cristo que veio procurar e salvar o que estava perdido! Que celebrando Cristo Rei nos coloquemos todos no caminho da conversão, aprendendo com o coração que, entre os discípulos de Cristo, reinar é servir, é saber escutar, é procurar compreender e construir a paz e a unidade, para que todos se sintam irmãos na Casa de Deus, que é a Igreja, coluna e sustentáculo da verdade.

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