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Os porqu�s de uma guerra quase perdida

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Não é o caso de imaginar que a polícia deva usar flores para vencer os canhões da bandidagem. O crime organizado, armado até os dentes, só pode ser enfrentado por uma polícia melhor armada e devidamente treinada para o uso correto do aparato bélico indispensável. Mas não é o caso de se crer na violência pura como forma legítima de investigação, de abordagem, ou de qualquer modus operandi pelo qual a polícia venha a desempenhar seu papel cotidiano. O poder bruto da polícia só pode ser usado quando provocado. Desgraçadamente, pelo apresentado através de reportagem da TV Gazeta e reproduzido no Jornal Nacional, não só aconteceu um indesculpável excesso como se evidenciou a existência de uma política de terror usada pela polícia alagoana contra suspeitos. Rendidos, sem esboçar quaisquer reações que pudessem sequer serem interpretadas como insolência, ou mesmo brincadeira, cidadãos e cidadãs alagoanos foram insultados, espancados, e, num gesto de puro sadismo, um das das vítimas foi alvo de choque por arma elétrica. Classificar tamanha selvageria como ?abuso de autoridade? é eufemismo. Uma série de adjetivos como covardia, perversão, crueldade, algolagnia... poderia ser usada para definir as cenas mostradas ontem pela TV. Mas, deixando de lado os aspectos humanistas considerados por alguns como coisas secundárias, poder-se-á classificar tal atitude de policiais militares alagoanos como a simples comprovação do porque a lei tem tanta dificuldade de se impor em terras alagoanas. Com tal comportamento praticado por quem diz defender a ordem, como não passar a apostar na desordem? Como duvidar que, diante de tal comportamento policial, os bandidos venham a ser vistos, por muitos, como seres mais civilizados? Não será com flores que a polícia vencerá as batalhas contra o crime organizado, mas com tamanha estupidez esta guerra já pode ser considerada inapelavelmente perdida. Antes da força das armas, é indispensável ter força moral para se avançar neste combate. Sem respeito, nada feito.

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