Opinião
ALMA DAS CATEDRAIS
A obra literária do Padre Júlio de Albuquerque Alma das Catedrais chegou às minhas mãos na década de 60, através da amiga escritora Guiomar Alcides de Castro. Guiomar, cultora da literatura, membro da Academia Alagoana de Letras, tinha profunda admiração por esse autor que considerava primoroso escritor e sacerdote de excelsas virtudes. Li e reli esse livro. Um estilo que eu não conhecia, com palavras rebuscadas que aspiravam à perfeição formal, no aprimoramento da frase e respeito às origens da ?última flor do Lácio...?. Recentemente foi republicada, em segunda edição pela Universidade Cesmac, por intermédio de seus dirigentes dr. João Sampaio, intelectuais e acadêmicos Douglas Apratto Tenório e Vera Romariz, com comentários literários dos acadêmicos Diógenes Tenório Júnior e Enaura Quixabeira Rosa e Silva. É o passado na realidade do presente, é o presente na perspectiva da história. Releio essa obra e me vem à mente a lembrança do que na época imaginava: que nestes 50 anos que se seguiram à publicação havia a esperança de um novo tempo; que o desenvolvimento científico, cultural e tecnológico servissem ao humano, à sua segurança e bem estar. Que não somente uma classe economicamente dominante fosse privilegiada, mas que a evolução servisse a todos, diminuindo índices de pobreza, miséria e violência. Conta-se que, por ocasião da construção da catedral de Notre Damme, o cardeal de Paris visitou a obra e perguntou a um dos pedreiros: ? ?O que está fazendo??. De má vontade, o obreiro respondeu: ? ?Juntando pedras para construir essa parede?. O cardeal, um pouco decepcionado, fez idêntica pergunta a um segundo trabalhador: ? ?O que está fazendo??. A sorrir, ele respondeu: ? ?Estou construindo uma catedral. No futuro, virei com meus filhos assistir às celebrações que aqui vão ser realizadas?. A obra literária Alma das Catedrais,do Padre Júlio de Albuquerque, merece ser lida e meditada. Pelo estilo, hoje incomum e pelos conceitos místicos, simbólicos e espirituais que projeta. Reflito que o ser humano não pode ser unicamente espectador de tantas agressões como as que são vividas no presente; tem que ser agente e personagem deste momento histórico que vivemos. A espiritualidade é necessária, a crença divina e a luta pela paz. Consciência individual projetada com firmeza no meio social. Caminhos neste ?mundo desavorado? de que fala o autor.