Opinião
Cuidados, desde hoje, com a vida longa
Sempre a fazer contas, afinal esta é uma de suas funções precípuas, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou ontem que ?a expectativa média de vida do brasileiro aumentou para 74 anos e 29 dias (74,08 anos) no ano passado?. Ótima notícia! Mas para as contas da previdência e para todos que pretendem viver um bom punhado de anos sob os auspícios da justa aposentadoria a boa nova chega carregada de preocupações para com o porvir. Antes mesmo da expectativa de vida média do brasileiro dar este salto, a previdência já claudicava. Sem pernas nem fôlego para acompanhar as existências de seus contribuintes, o sistema previdenciário brasileiro, desde muito antes, já não consegue caminhar com facilidade. O déficit crescente, atroz, corrói-lhe as juntas. Pois agora é que a coisa pega, pois ? assim como no resto do mundo ? uma série de fatores fazem com que o ser humano viva mais e melhor. Melhoria essa, lógico, para quem tiver condições pecuniárias de enfrentar adequadamente os custos da manutenção cotidiana. Para quem depende dos cobres da aposentadoria, aí sim, vida longa tornar-se-á sinônimo de vida dura. Os viventes com idade superior a 60 anos, nos dias em curso, está na faixa de 12% da população e a perspectiva é de que por volta do ano 2050 esse percentual esteja no patamar de 30%. E essa projeção foi feita antes desse índice divulgado ontem, pelo qual, ao longo de apenas um ano, comprovou-se o acréscimo de 3 anos, sete meses e 24 dias à expectativa média de vida do brasileiro! Comemoremos! Mas vamos festejar a longevidade ganha com ações concretas para um rápido e eficiente repensar de toda estrutura brasileira de previdência e saúde. No ritmo que a coisa vai (conjugando os aumentos do déficit previdenciário, mais a decadência nos serviços de saúde, mais o crescimento da expectativa média de vida), os maiores de 60 anos, em breve, estarão submetidos a sofrimentos que o aperto (previdenciário e de saúde) sofrido hoje parecerá um abraço afetuoso.