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AS RUGAS DO TEMPO

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Foi no sepultamento de um amigo, lá no Parque das Flores, que ouvi o comentário: ?Estamos ficando velhos, cumprimentei pessoas que há mais de dez anos não via e observei o quanto elas mudaram fisicamente. Cabelos grisalhos ou totalmente brancos, rugas na face...?. O amigo disse isso um tanto assustado, principalmente porque estávamos num cemitério para o enterramento de um companheiro da nossa faixa de idade. Não tive tempo de responder o comentário porque outras pessoas se juntaram a nós e mudamos de assunto. Refletindo sobre o pensamento do companheiro, creio que ele fez a observação para expressar seu sentimento nostálgico dos bons tempos da juventude, do nosso vigor físico. Não vejo a idade por esse prisma, as rugas do tempo não nos fragilizam, pelo contrário, fortalecem-nos em muitos aspectos. Companheiros, nós, que temos hoje entre 55 e 60 anos, estamos no início da 3ª idade. Somos vencedores do tempo porque nossos avós e bisavós, há 60 anos, morriam com 45 anos. O século 21 está caracterizado pela longevidade da população. Chamamos hoje a 3ª idade de ?melhor idade?. Já se classifica o idoso de 4ª idade, 5ª idade e por aí vai, de acordo com a escala do tempo que está alcançando. Éramos muito inexperientes quando jovens. Sabíamos pouco porque tínhamos vivido muito pouco. O tempo foi passando e fomos adquirindo sabedoria. Hoje, somos idosos, porém saudáveis e de bem com a vida. As rugas em nossa face sinalizam experiência. Sem falsa modéstia, fico espantado com a minha sabedoria, quer na minha profissão de engenheiro; na lida no campo em minha pequena propriedade lá na Viçosa das Alagoas; e na minha capacidade de dar conselhos aos meus filhos e aos parentes. Adquiri essa qualidade ao longo do tempo, lendo, praticando, exercitando, errando e aprendendo com os mais velhos e também com os mais novos. Assim como o adjetivo velho já não é mais aceito, acredito que o nome idoso também vai entrar em desuso. Porque não chamamos aqueles que tem mais idade, de conselheiros?

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