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WALFRIDO HOLANDA * É sabido que as dinâmicas das organizações públicas e privadas diferem diametralmente entre si. Muito do que pode em uma não pode na outra e vice-versa. Nas organizações públicas, há respeito à hierarquia porque existe respeito às normas, respeito a regulamentos, porque existe responsabilização por atos que podem ser considerados lesivos ao erário, porque se pensa em promoção, etc. Nas organizações privadas, regulamento nem existe. E se existe, em raríssimos casos, só é respeitado à conveniência do praticante quando este é o diretor da empresa. Nas empresas particulares, as normas constituem-se da Consolidação da Legislação do Trabalho (CLT). Promoções? Por competência, sim, mas, aferidas pela subjetividade do humor contemporâneo do patrão e mediante necessidade de a empresa ganhar mais. O descarte do promovido segue o mesmo raciocínio, que é frio, objetivo e balizado no capitalismo argentino. Nas empresas privadas não há compromisso com cidadania, com formação de uma cultura de continuidade da organização e sua representatividade na sociedade. O lucro balizatudo. E, ao contrário dos próprios teóricos da administração, a preocupação é a maximização do lucro e não da riqueza. Nas organizações públicas, em que pese existirem os chamados cargos comissionados, o funcionário público prestou concurso. Se dedicou para passar. Rezou para não ter ?maracutaia? e tomou posse com a intenção de se dedicar. Encontra um sistema que, por definição, implica em burocracia. Mas, a culpa não é do sistema e sim imputada ao funcionário público pelos prazos de atendimento, pela falta de informatização, pela falta de condições, etc. O funcionário público não pode errar. Se errar é penalizado. Se demorar 10 minutos em um atendimento é taxado de incompetente, de preguiçoso e de desleixado. Mas, na empresa privada, se o atendimento demora e os clientes reclamam, recebem a resposta clássica: ?procure outro lugar para comprar!?. Profissionais liberais, por exemplo: quantas vezes você tinha uma consulta médica marcada para determinada hora e foi atendido com mais de uma hora de atraso? As consultas são marcadas para serem realizadas a cada 15 minutos, mas existem vários ?encaixes? para aumentar o lucro do médico. E se pedir recibo o médico dá, mas com a cara fechada e com raiva. O empregado da empresa privada demora no atendimento porque ?o patrão manda que preenchamos este papel, aquela guia e anote ali...? Se o funcionário público demora no atendimento é alvo de reclamação formal, escrita, além de ofensas pessoais. O órgão público, por sua vez, abre um processo de apuração que constrange o funcionário público, arranha sua auto-estima, submete-o a vexames, etc., tudo porque ele agiu de acordo com as normas que o regem. Existem empresas, mas que são minoria, que vêm se preocupando com o atendimento à clientela. Nós não vemos, no entanto os empregados das empresas privadas agindo como se tivesse prazer em atender, sorridentes e se disponibilizando ao cliente, cativando sua atenção como os cursos desse tema tanto falam. Por isso, no dia do funcionário público, quero resgatar ao mesmo todo o crédito pelo bom atendimento que presta. Ressalvando que há os casos ?exemplares? em qualquer categoria profissional, o funcionário público municipal, estadual e federal tem se apresentado entre os melhores profissionais do Brasil de hoje. Limitados por falta de condições mais adequadas de trabalho, limitados pelos baixos salários, limitados pelos rótulos que lhes são impostos, esses profissionais têm feito cursos de extensão universitária, têm procurado mostrar performance e sobrevivido entre críticas e até humilhações. Parabéns, funcionário público. Parabéns pelo seu dia! (*) É FUNCIONÁRIO PÚBLICO

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