Opinião
ESTRASBURGO, A CAPITAL DA ALS�CIA-LORENA
Sempre tive o desejo de conhecer essa cidade ora alemã ora francesa, cuja disputa histórica me despertava curiosidade. Já que estava com vontade de rumar para o Velho Mundo, por que não ir até lá? Gosto de andar dentro da Europa de trem. As paisagens são lindas, variadas, e há os trens TJV que rapidamente alcançam os lugares e, mesmo na primeira classe, os preços são bem menores do que os por via aérea. O problema é que tenho que levar a cadeira de rodas. Como conduzir, também, minha bagagem? Nas estações não existe carregadores e viajo sozinha. Infelizmente, não há condições. Assim, tenho sempre que fazer todos os percursos de avião. Saí do aeroporto de Orly, França, para Estrasburgo. Duas horas e vinte minutos de voo. Cheguei debaixo de uma chuvinha fina, fria e irritante. Hospedei-me num hotel bem no centro da parte histórica da cidade, às margens do Rio Ill, afluente do Reno, que toma uma forma elíptica que circunda parte da mesma. Apaixonei-me logo pela capital alsaciana, cujos prédios antigos, de telhados inclinados cercam a imponente catedral gótica. Toda essa região mais antiga, contornada de canais e do rio de que já falei, forma uma imensa ilha. A parte moderna foi construída em torno dela. Procuraram guardar, intacta, as construções mais remotas. Estrasburgo foi classificada como patrimônio mundial da Unesco. Originou-se de um campo romano Argentoratum, mas logo foi devastada por Átila, rei dos Hunos. Pouco tempo depois, os alemães expulsaram-nos e se apossaram do pequeno país. No ano de 496, Clovis põe os germânicos para fora e anexa Argentoratum à França, mudando-lhe o nome para Strateburgum. Em 842, os netos de Carlos Magno, rei dos francos, Luiz o Germânico e Carlos o Calvo trocam os célebres Juramentos de Estrasburgo, primeiros testemunhos escritos das línguas romanas e tudescas, e assim se separam os reinos carolíngios. Em 843, com o Tratado de Verdun que dissolveu o reino franco, a Alsácia tornou-se parte do Sacro Império Romano-Germânico, ficando sob a administração do império austríaco. Durante os séculos 12 e 13, sob a administração dos Hohenstaufen, o país muito se desenvolveu com a agricultura e o fabrico de vinhos. Porém, no século 14, com uma série de invernos rigorosos, péssimas colheitas e a chegada da peste bubônica, essa prosperidade terminou. Atribuindo esse desastre aos judeus, estes foram massacrados impiedosamente.