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Opinião

O respeito devido � f� alheia

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Deveras preocupante é a situação denunciada por associações religiosas de matiz africana de que, neste ano, a única data na qual os cultos afro-brasileiros realizam atividades abertas ao público teria restrição de horário para serem realizadas. Exatamente quando é lembrado, e lamentado, um século da ocorrência da grande onda de intolerância contra os cultos afro-brasileiros em Maceió, a capital volta a ser palco de uma tentativa injustificável de restrição aos tradicionais festejos de 8 de dezembro. Desde tempos imemoriais, as celebrações em local público, dos cultos de raiz africana têm a mesma data. Em todas as demais datas referenciais para o ?xangô?, as celebrações são feitas de forma restrita, dentro dos ?terreiros?. A data, portanto, é de um grande simbolismo cultural para Alagoas. Não se tem notícia se em outras partes do Brasil isso se repete. Na Bahia, por exemplo, a data maior para os festejos religiosos de matiz africana é o 2 de fevereiro, mas é absolutamente comum ver-se manifestações religiosas afro-brasileiras abertas ao público noutras ocasiões, como a famosa ?Lavagem [das escadarias da igreja] do Bomfim?. A orla de Maceió, há muitas e muitas décadas, é tomada (o dia todo e noite adentro) pelos seguidores dos cultos afro-brasileiros em grandes festas de fé, alegria, música e oferendas. Trata-se de um espetáculo religioso típico e que não pode ser desrespeitado. Não se concebe a limitação de horário para os cultos, principalmente se a motivação for de cunho religioso, como os líderes afro-brasileiros afirmam. Que outras igrejas comemorem a data. Mas em local diverso, sem buscar a contraposição e o deslocamento das celebrações tradicionais. O exemplo da Igreja Católica, neste caso, tem sido digno de nota, pois as procissões em louvor à Nossa Senhora da Conceição, na mesma data (pois, no sincretismo religioso, o momento de celebração é idêntico), não buscam o confronto. Pelo contrário, são escolhidos trajetos que em nada se chocam com os perímetros tradicionais dos festejos afro-brasileiros. Respeitar a crença do próximo é algo sagrado para a cidadania religiosa.

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