Opinião
PARAB�NS, PREFEITO!
O prefeito do Rio de Janeiro decidiu internar compulsoriamente os dependentes em crack que vivem nas ruas da cidade. Num primeiro momento, foram recolhidos 87 usuários. Porém, retornaram para as ruas 63% deles por não desejarem se tratar. Concordo com o prefeito carioca quando afirma que seu ato é um estímulo ao bom senso e à dignidade humana. O debate estéril, inapropriado e acima de tudo politicamente ignorante e omissivo, de que o usuário de crack deve ter o direito de decidir se deseja ou não tratamento, parece estar começando a fenecer e, como afirmou o prefeito, estamos diante de um debate ideológico: ?Nossa obrigação é salvar vidas?. Questiono a razão que move aqueles que defendem a ideia de que se deve dar ao viciado em crack a opção em se tratar ou não... Seria ignorância, insensibilidade ao problema ou o discurso seria o do respeito à individualidade e aos direitos fundamentais da pessoa humana? Se este for o argumento, com certeza é o mais hipócrita e nefasto que se pode utilizar. Equivale à possibilidade de se evitar um suicídio mas defender o ponto de vista de que a vida é um bem disponível, devendo-se respeitar as razões pelas quais a pessoa deseja se matar! Ao ser inalado, o crack chega rapidamente ao cérebro e seus efeitos são sentidos quase imediatamente, de dez a quinze segundos, levando o usuário a usá-lo muitas vezes em curtos períodos de tempo. Seus efeitos são a sensação de poder, excitação, hiperatividade, insônia, intensa euforia e prazer. Sem a droga, entra-se em depressão e sente-se a chamada ?fissura?, que é a compulsão para usar a droga. O seu uso, sempre em grandes quantidades, torna a pessoa extremamente agressiva e paranoica. O dependente do crack passa a ter problemas mentais, respiratórios, derrames e infartos e estas são apenas as consequências mais comuns. Deve-se dar o direito de autodestruição a um ser humano que não possui mais a capacidade de decidir e não se fazer absolutamente nada? No mundo inteiro o Estado intervém para retirar essas pessoas das ruas e oferece tratamento em busca de recuperação. Isso não significa que se obtenha êxito sempre, mas significa igualmente que as pessoas se importam com o sofrimento e com a dor alheias. O usuário do crack é um escravo de seu vício e, como escravo, não é dono da sua vontade. Parabéns ao prefeito Eduardo Paes pela coragem de enfrentar o mal travestido em fingido respeito e falsa dignidade!