Opinião
Um brasileiro monumental
Suas obras projetaram o Brasil, e a mais visível delas, o conjunto de edificações que personificam Brasília, é, indiscutivelmente, uma das realizações mais marcantes da história da Arquitetura no mundo. Oscar Niemeyer, morto aos 104 anos, viveu intensamente e produziu de forma incansável. Foi um apaixonado, quer seja pela sua profissão, quer seja pela cidadania, quer seja pelas mulheres. Até seu sopro final, respirou arquitetura, política, e casou-se novamente aos 99 anos. Gratuitamente, fez dois projetos de monumentos para Alagoas. Um deles, dedicado ao Senador da Anistia, Teotônio Vilela, está na Praia de Pajuçara. O outro, em homenagem a Zumbi dos Palmares e originalmente pensado para a Serra da Barriga, teria sido extraviado após chegar ao Estado. A fantástica obra de Oscar Niemeyer não só impacta, como desperta paixões e polêmicas. Seu apego à estética e esmero em criações capazes de tirar o sono dos engenheiros produziu críticas que, geralmente, apontavam para sua ?falta de funcionalidade?, ?monumentalidade exagerada? e outras coisas do tipo. Mas ninguém nunca deixou de usar os habitáculos concebidos pela caneta do mestre que inventou a Pampulha, em Belo Horizonte, e espetacular conjunto dos Três Poderes, em Brasília. Falecido a apenas 10 dias de seu 105º aniversário, Niemeyer lega também um grande exemplo de amor à vida, comprovando que os ideais, a alegria, a participação cidadã, a capacidade de se apaixonar não desaparecem com a idade avançada. A repercussão na mídia mundial da morte do arquiteto brasileiro comprova que nosso País exporta também, com sucesso, inteligências para além dos nichos esportivos e artísticos. Oscar Niemeyer é um nome, para sempre, gravado na lista dos maiores arquitetos da história da humanidade. Isto não é pouca coisa, é mais um motivo para o justo orgulho nacional se expressar sem restrições, alimentando o mais saudável amor-próprio brasileiro. Merece toda a pompa e circunstância a despedida a este grande personagem da história do Brasil. E, essencialmente, Oscar Niemeyer merece nunca ser esquecido.