Opinião
Dilemas do crescimento
Se fosse fácil e simples o caminho para o desenvolvimento, só haveria superpotências no mundo. Comprovam isso os pífios resultados na tremenda batalha para garantir o crescimento econômico, primeiro passo para uma sociedade ser desenvolvida, levada a duríssimas penas por todas as nações do mundo. Aos chamados ?países emergentes?, estão colocadas tarefas hercúleas para vencerem, dia após dia, o degrau seguinte. Quando o Brasil cresce apenas 0,6% na comparação entre trimestres, reafirma-se aí a tese inexorável do caminho não retilíneo na via do desenvolvimento. O fato é que continuam valendo as forças naturais da economia, baseadas em leis universais conhecidas e cuja dinamicidade e implacabilidade seguem intocáveis. Além das crises regionais (como a dos EUA e a da Europa), uma série de falhas cometidas nos processos de crescimento, mais cedo ou mais tarde, cobra seu preço. Este é o caso do Brasil. Quando a inevitável oscilação do processo de crescimento faz a curva fletir mais para baixo que o esperado, o pânico se estabelece. Razões existem para os sobressaltos, afinal, ninguém melhor que o brasileiro para saber que os deveres de casa, que deveriam ter sido feitos, não foram respondidos de maneira adequada. Falhamos na construção de uma base mínima, do ponto de vista da infraestrutura, para o esperado crescimento; na construção de uma base educacional minimamente aceitável; na saúde; na segurança pública. Continuamos a ser um país com tremendos vícios patrimonialistas, assistencialistas e corporativos. A partir de 1990, o Brasil começou a tentar equacionar esses problemas estruturais. Mas ao longo desses 22 anos, as vacilações frente ao projeto modernizador brasileiro têm produzido oscilações para mais baixo que o desejável nas curvas dos gráficos de crescimento. O minúsculo crescimento do PIB (0,6% na comparação do último trimestre em comparação ao mesmo período de 2011) nos chama a atenção para a necessidade imperiosa de adotarmos, de uma vez por todas, posturas econômicas mais ousadas.