Opinião
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Nos terreiros de umbanda e candomblé de Alagoas, Iemanjá é sincretizada com Nossa Senhora da Conceição Aparecida, cujo dia é comemorado em 8 de dezembro. Na Bahia, o sincretismo se dá com N. S. dos Navegantes, em 2 de fevereiro. São festas lindas, que deveriam fazer parte do calendário turísticos das cidades onde ocorrem. Festas para encantar turista. Em Salvador, já integra o calendário oficial. Não fosse o protesto dos grupos religiosos de matrizes africanas, na última terça, em frente ao Fórum, a celebração aqui corria o risco de não acontecer este ano, por conta da criação de vários entraves ao acesso do ?povo de santo? à enseada da Pajuçara, impostos pelo poder público municipal. Agora, vejam o caso do Rio de Janeiro: todo ano, Copacabana atrai um gigantesco contingente de cariocas e turistas do mundo inteiro, quase todos vestidos de branco, para o celebrar o mais famoso réveillon do planeta. A prefeitura investe milhões neste gigantesco e pirotécnico terreiro de umbanda, para torná-lo a cada ano mais atraente, mais surpreendente. A cada quilômetro da avenida mega palcos recebem artistas do quilate de Gilberto Gil, Ana Carolina, Caetano e Martinália. Milhões de pessoas compartilhando o mesmo espaço, a mesma festa, a mesma alegria, o mesmo instante: 4, 3, 2, 1, feliz Ano Novo! Esperança e promessa. Fé no que virá e votos de coragem para recomeçar. Uma bela celebração, um culto ao futuro. Três milhões de filhos de Santo, acendendo velas, pulando ondas, jogando flores ao mar. Gente do mundo inteiro: muçulmanos, judeus, católicos, cristãos ortodoxos, hinduístas, kardecistas, evangélicos, budistas, ateus, todos vêm bater cabeça no congá de Iemanjá. Saravá, rainha do mar! É quando este sincretismo ecumênico impregna de azul e branco o imenso areal que se estende do Leme ao Forte Copacabana, premiando a democracia brasileira com momentos da mais completa liberdade e sincera igualdade, na realização do sonho da renovação, prometido em uníssono por todos os presentes. Após este momento lisérgico de fraternidade, nascido das entranhas da alma brasileira, a vida retoma seu ritmo como muito bem cantou Chico em sua A Banda: ...tudo tomou seu lugar, depois que a banda passou. Mas, todo mundo de cabeça feita e alma lavada...