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Opinião

O KAMA SUTRA BRASILIENSIS

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A deslumbrante loura pressentiu que aquela seria a sua noite de glória. Trajando diáfano e revelador vestido, sob o acariciador vento noturno, atravessou a pérgula da piscina em direção ao sr. presidente da República, general João Figueiredo. Quis a sorte que uma amiga embriagada a empurrasse na piscina, de tal forma, que quando sua excelência lhe foi apresentado, seus trajes molhados, colados ao escultural corpo, despertaram incontrolável cobiça. Começava o mais tórrido e encoberto romance presidencial da ditadura militar. A loura, Myriam Ambicair, hoje ainda viva, era casada com o dono do hotel Vila Rica, em São Luís, onde se deu esse fato. Decorrente dali, não titubeou em separar-se. Figueiredo vivia um casamento de aparências e prometeu-lhe casamento. Revelou Myriam recentemente: as suculentas sessões de amor ocorriam em apartamentos e hotéis no trecho Rio-São Paulo. Mas jamais Figueiredo a aproximou do poder, tinha medo de que, na cama, ela conseguisse o que nem nos gabinetes nem nas churrascadas, ele concedia. E detalhe caprichoso: nunca viajou na aeronave presidencial. A volta da democracia não abriu apenas as portas da censura, mas também os umbrais da anatomia feminina: Itamar Franco foi flagrado em memorável desfile de escola de samba no Sambódromo, aboletado com a calorenta moça que poupara as partes íntimas de desconfortável calcinha. FHC, reza a lenda, tinha sofisticado gosto nesse aspecto, e suas saliências, embora fartamente comentadas, eram convenientemente discretas. O até agora inusitado no alardeado romance do ex-presidente Lula com dona Rosemary, a Rose do escândalo Porto Seguro, não é a promiscuidade sexual, que o Brasil, nesse aspecto, é muito menos hipócrita e menos falso moralista que países mais desenvolvidos, como os EUA. Mas, sim, a relação promíscua, delituosa, entre os interesses pessoais espúrios e o patrimônio público que deveria pertencer à coletividade. O ex-presidente Lula que contabilizou vários avanços sociais e econômicos em sua gestão vê a cada dia o seu patrimônio público pessoal corroído por sua compulsão de nunca ver limites em suas ações pessoais. Grande parte de seu eleitorado vive condenado a uma vida pessoal restrita aos ganhos salariais, aos achaques da patroa e, no máximo, aos do solitário onanismo. Nada disso faz parte do cotidiano da aristocracia política nacional.

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