Opinião
Uma estat�stica desumana
Pelas contas da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, ?número de denúncias de violação de direitos humanos em Alagoas cresceu 65% em 2012, se comparado ao mesmo período de 2011?. Em algarismos, esse crescimento significa um pulo de 3.281 denúncias em 2012 contra 1.994 registradas no ano passado. Mas podia ser pior, pois apesar do crescimento assustador, Alagoas ainda sofre abaixo da média nacional que registrou um aumento de 77% entre os resultados colhidos em 2011 e 2012. Trata-se de um quadro preocupante, mesmo sem se saber exatamente o que está sendo balizado como ?violação dos direitos humanos?, um parâmetro que nos últimos tempos tem sofrido diversas mutações ideológicas que alargaram enormemente os conceitos antes definidos na Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada pela ONU em 10 de dezembro de 1948. Esse esticamento pode ser percebido pela variedade de aplicações práticas para terminologias difusas como ?assédio moral? e denominações assemelhadas. A preocupação justifica-se pelo simples fato de que, apesar da plasticidade incorporada pelo nobre escopo de valores originalmente definido pela ONU no pós-II Guerra, este conjunto de valores humanos contempla, em seu núcleo histórico, definições essenciais para a vida e a liberdade humana no planeta. E quando se fala em agressões aos direitos humanos, em primeiro lugar, os ouvidos da alma aguçam-se num esforço para evitar males maiores. É angustiante a informação que ?as denúncias de violações contra idosos foram as que mais aumentaram: 199%, de 7.160, em 2011, para 21.404, em 2012? e que ?é ainda maior? o conjunto de denúncias de violências contra crianças e adolescentes, atingindo o número de 120.344. Ao se ouvir falar em violações, o que automaticamente nos conduz a violências, cometidas contra idosos e crianças, a indignação invade os corações. E apenas uma exigência pode ser berrada em reação: ?Autoridades públicas, assumam suas responsabilidades e acabem com esta vergonha!?.