Opinião
Combatendo o crime l� e c�
Enquanto os índices apontavam para Alagoas o dedo sanguinolento na condição de mais violento do País ? a atenção da grande mídia não era das maiores quando algumas linhas a mais eram escritas ?, o tom do preconceito era predominante. De repente, a coisa muda com a ascensão dos mortíferos números em São Paulo. Em verdade, a violência brasileira acompanha a distorção urbana e social nesse desigual Brasil, Rio e São Paulo não têm como não ser o epicentro da criminalidade. Em tão medonho cenário, as estatísticas, que naturalmente castigam mais os menos favorecidos, cumpriram o papel de cortina de fumaça, obnubilando a visão sobre a realidade regional da criminalidade. Não que esse desvio de foco venha a justificar a inércia e leniência alagoana frente ao crime organizado. Nossa realidade é intolerável e inaceitável. Mas as de grandes centros urbanos brasileiros, especialmente nos casos carioca e paulistano, nada fica a dever ao dantesco quadro local. Nesse rumo, a BBC Brasil realizou uma análise, que não deixa de ser interessante e bem construída, sobre os quadros de crise na segurança pública em São Paulo e Nova York. A reportagem começa informando que a Big Apple ?já foi vista como uma das metrópoles mais perigosas do mundo, alcançando em 1990 seu pico de homicídios: 2.262 em um ano, média de 188 por mês. Mas esse cenário mudou: a cidade de 8 milhões de habitantes apresentou uma das maiores reduções de crimes registradas nos EUA. E recentemente, em 26 de novembro, teve um dia inédito, sem nenhum registro de crimes violentos!?. Aplausos. Mas o que mesmo aconteceu para que Nova York sarasse sua monumental ferida? A matéria em tela demora-se para analisar as receitas, tomando considerável cuidado de não apontar para uma fórmula única, mas é inegável que o conceito ?tolerância zero? siga fazendo um eco danado. O problema é que no Brasil esse axioma continue a ser traduzido como ?intolerância máxima?, o que pode ser atestado no velho vício da violência policial descontrolada, a exemplo de ocorrências recentes em São Paulo. E em Alagoas.