Opinião
Uma neo�tica feroz e midi�tica
Mais uma vez, uma onda de ataques é direcionada contra o ex-presidente Lula pelos grandes veículos de comunicação. Ancorados no eixo Rio-São Paulo, alguns dos principais títulos da mídia impressa do País centram fogo encadeando denúncias e análises bombásticas, sobre ligações mais que perigosas envolvendo o, até então, mais popular ocupante do Planalto. Ainda em meio à enxurrada de notícias que catapultaram a então desconhecida Rosemary para o estrelato (negativo), surge o requentamento, por um dos maiores diários paulistanos, das reportagens antes divulgadas pela revista semanal de maior circulação. O foco do jornal é o mesmo da hebdomadária, com a variação de que este confirmaria a fonte oficial da denúncia. Nada mais justo que a apuração de toda a denúncia contra quem quer que seja. Mas a questão é que ulula a pressão brutal voltada para a condução exclusivamente contra Lula das denúncias de Valério. Essa pressão, aberta e gigantesca, tem sido avassaladora desde que estourou o chamado Escândalo do Mensalão do PT. Faz parte desse pressionamento a escandalosa exclusão, das campanhas ?éticas? pela apuração do caso petista, de quaisquer possibilidades de apurações sobre ações semelhantes, principalmente da maior de todas: o mensalão pago para aprovar a PEC destinada a reeleger FHC. Do ?mensalão mineiro? até que se fala. Marcos Valério mesmo quis falar, desde 2006, mas ninguém quer ouvir. Marcelo Leonardo, seu advogado, declarou que a Procuradoria-Geral da República, à época, desconsiderou as confissões do mensageiro dos pagamentos sobre outras mensalidades que não fossem destinadas a petistas. Enfim, depois de ser escandalosamente imprensado, Marcos Valério teria cedido e falado o que a grande mídia ditou: teria pago ?contas pessoais? do ex-presidente. Explodiu a euforia midiática e, mais que todas as outras siglas oposicionistas, os tucanos, pais e mães de todos os mensalões, escancaram seus bicos exigindo o linchamento imediato do acusado de ter-lhes copiado a ideia. De fato, vivemos a época da neoética.