loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 23/07/2026 | Ano | Nº 6273
Maceió, AL
25° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

O CARDEAL DOS OPER�RIOS

Ouvir
Compartilhar

No fim do século 19 e início dos anos 1900, as condições do trabalho operário eram desumanas e cruéis. Nascido em 1882, surge na Bélgica o Cônego Cardijn ? como ficou conhecido ? o qual, com autêntica coragem evangélica, saiu em defesa dos jovens operários, criando a JOC, Juventude Operária Católica. Difundiu-se ela rapidamente pelo mundo cristão e tornou-se o baluarte das conquistas sociais da classe trabalhadora. Havia grande fosso de separação entre a Igreja e os operários. Cardijn liderou um grande movimento de reivindicação dos direitos dos trabalhadores e tornou-se verdadeiro ícone da ação da Igreja ao lado dos oprimidos e marginalizados da sociedade burguesa. Preso durante a 1ª Guerra Mundial pelas forças de ocupação da Bélgica, foi acusado de agitador social. Terminada a guerra, ele voltou a organizar pequenos grupos, criando o famoso método do ver-julgar-agir, que hoje ainda prevalece como método de trabalho em muitas atividades da Igreja. A JOC, com o correr do tempo, foi a semente das várias organizações juvenis da Ação Católica: JAC (Juventude Agrária Católica); JEC (Juventude Estudantil Católica); JIC (Juventude Independente Católica); JUC (Juventude Universitária Católica) e outras mais. O nosso dom Hélder Câmara disse de Cardijn: ?A JOC é a própria raiz do apostolado dos leigos; especialmente no aspecto de ter ensinado aos leigos a reconhecer seu apostolado em seu ambiente cotidiano. Quando o Concílio Vaticano II trabalhou sua doutrina sobre o laicato, podia-se ver a medida em que Cardijn tinha sido profeta e pioneiro?. Sendo recebido em audiência pelo Papa Roncalli, recém-eleito como João 23, ele logo descobriu que os dois comungavam da preocupação de ver uma Igreja renovada, a paz mundial e a defesa dos pobres e marginalizados. ?Com Cardijn, aprendemos a ?ver, julgar e agir?! Mesmo após o Concílio Vaticano II, continua o desafio de apresentar ao mundo o rosto de uma Igreja acolhedora dos pobres, dos que trabalham e ao lado dos operários marginalizados e fazem de seu trabalho o altar do mundo? ? diz a revista Ecoando, da editora Paulus, em que me estou baseando neste artigo. E conclui a revista: ?O mundo ainda precisa conhecer e aplicar as ideias de Cardijn. ?Estamos apenas começando, apenas começando...?, dizia ele?. Tive a felicidade de ouvir pessoalmente o cônego Cardijn, quando era eu estudante no Instituto Teológico Pio XI de São Paulo nos anos 1950. Papa Paulo VI criou-o cardeal em 1965, como reconhecimento pelo seu pioneirismo no campo social. Dois anos depois, em 1967, faleceu em Lewen. Passou para a história como o ?Cardeal dos operários?.

Relacionadas