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Opinião

A coragem de contraditar

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Como dantes na história deste País, a chamada ?grande mídia? enraizada no eixo Rio-São Paulo empalma mais uma campanha partidária destinada a demolir o prestígio legitimamente conquistado por líderes de relevância nacional. O alvo da vez volta a ser o ex-presidente Lula, atacado com ódio talvez por ter ousado vencer dois obstáculos anunciados como intransponíveis: o câncer na garganta e a eleição de Fernando Haddad em São Paulo. O furor midiático desencadeado pelo julgamento do ?mensalão do PT?, já em si bastante parcializado, atingiu os píncaros da partidarização editorial com o episódio Rosemary Noronha. As notícias verdadeiras foram acompanhadas pari passu por boatos turbinados em cifras fabulosas através dos canais nem tão apócrifos assim da internet pelas redes (anti) sociais. Como se não bastassem essas ondas todas, foi devidamente requentado o depoimento, de setembro, por Marcos Valério (de cujas declarações foram expurgadas as indicações sobre os mensalões tucanos). Enfim, como se diria em termos militares, uma campanha de cerco e aniquilamento. Uma das questões mais significativas, porém, é o acanhamento, quando não acovardamento, de importantes segmentos ligados ao ex-presidente. Quando, apropriadamente foi levantada a questão de chamar à ribalta figuras exponenciais das ?oposições?, como FHC e o atual procurador geral, o tremor sacudiu muitos tidos como bravos. E, o mais pitoresco: quando os invitáveis releases sobre este fato foram distribuídos pelas reputadas agências de notícias, o texto, ao ser impossibilitado do drible a uma das denúncias arroladas, imediatamente a ?classificou? como ?falsa? (!). Este foi o caso da famosa ?Lista de Furnas?. Mas o problema para esses arautos da neo-ética, é que instituições importantes, como o MPF do Rio de Janeiro, não pensam assim. E, para desespero de oposicionistas e situacionistas de pouca fé, as denúncias apresentadas poderão, finalmente, sair das gavetas onde foram trancafiadas. Reagir, apresentar o contraditório, ainda é fundamental para a democracia.

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