Opinião
A MUNHECADA E O GESTOR ESTADUAL
Na atividade política e no debate democrático, é repudiável a atitude de pinçar eventuais palavras de um contexto para industrializar a ideologia da dissimulação e da desqualificação. Na verdade, é uma modalidade de violência urdida por quem se presta a converter sua pena em ferramenta legitimadora do detrito que contamina, há seis anos, a atual gestão estadual. No debate sucessório de 2010, quando nosso Estado alcançou o topo do ?ranking? da violência homicida, disse eu que enfrentaria a delinquência com uma ?munhecada no espinhaço?. A partir de então, venho sendo vítima de uma desonestidade intelectual, que insiste em distorcer a essência da minha mensagem contida nessa expressão figurativa. Todo mundo sabe da minha trajetória em defesa da paz e da construção de uma sociedade que proteja a vida humana. Basta rememorar que, quando presidente da República, sancionei a lei 8.069, de 13 de julho de 1990, que instituiu no Brasil o Estatuto da Criança e do Adolescente. Tenho orgulho desse gesto, que se coadunou com todos os tratados internacionais de proteção às novas gerações. Duas décadas depois, vejo Alagoas com índices típicos de regiões em verdadeira guerra civil: só em 2010, segundo o Mapa da Violência, 1.294 jovens, de 15 a 29 anos, foram trucidados. Foi nesse clima de desmonte do aparato de segurança pública, e da ausência de uma rede de proteção social, que reagi indignado, certamente refletindo a revolta da cidadania alagoana pela leniência governamental. Dar ?munhecada? é lançar mão, de forma pronta e firme, da caneta de gestor. É de conhecimento da sociedade o comportamento hesitante do governador, que precisa ler o recente e circunstanciado relatório produzido pela Comissão Especial de Inquérito da Câmara Municipal de Maceió. Essa CEI investigou seriamente a violência homicida em nossa capital. O gestor maior teria dado ?munhecada? contra o crime, caso tivesse feito o concurso público há mais tempo, como prometera na campanha de 2006. Recordo-me do compromisso solene de inserir anualmente mil novos homens na Polícia Militar, o que não ocorreu. Resultado, muitas vidas se perderam pela ausência de efetivo em Maceió e nas cidades do interior. Só este ano, na capital, mais de 500 assaltos a ônibus foram registrados, inclusive com perda de vidas e famílias enlutadas, além de milhares de outros crimes de toda natureza cometidos. Outras ?munhecadas? poderiam ter sido desferidas pela caneta palaciana, não fosse a lerdeza que contaminou o poder oficial. Basta citar o insignificante investimento do Estado no serviço de inteligência e a deficiência de recursos humanos na polícia judiciária, que contribuíram para gerar um estoque escandaloso de inquéritos não concluídos, fomentando assim a sensação de impunidade generalizada. O Plano Brasil Mais Seguro, implantado de forma pioneira, demonstra a presença do governo federal em auxiliar o Estado. Brasília está fazendo sua parte, mas o que se realiza aqui para dotar esse plano de sustentabilidade? E as políticas sociais do governo do Estado, qual o investimento efetivo? Na contramão da história, houve, por exemplo, uma covarde ?munhecada? na juventude, com a extinção da Secretaria de Esporte do Estado e com a perda do ano letivo por milhares de alunos da rede pública, fruto da inépcia exasperante do secretário de Educação. Como reflexo, vemos jovens clamando por apoio até para conseguir passagem e poder representar nacionalmente Alagoas em jogos estudantis. O esporte é fundamental nesse processo de inclusão e de oferecimento de esperança e oportunidade a quem tanto precisa da mão solidária do poder público. Como explicar a extinção dessa pasta estadual diante de um País que se prepara para um calendário esportivo de repercussão mundial, e que possui o Ministério do Esporte, cujo titular é o alagoano Aldo Rebelo? Como explicar às famílias que tiveram seus filhos sem salas de aula durante todo esse período? Discutir, enfim, a perenidade do Plano Brasil Mais Seguro em Alagoas é saber efetivamente quanto o governador se dispõe a investir no campo social, dentro do Orçamento de R$ 7,1 bilhões, para o exercício de 2013. O Estado necessita fazer sua parte e nós temos que cobrar. A crítica é essencial e indissociável da vida democrática. Em Brasília, continuarei realizando a defesa de Alagoas e apoiando a destinação de emendas orçamentárias para setores carentes de nossa terra, mesmo sem nunca ter recebido um pleito do mandatário do governo. Prosseguirei, entretanto, trabalhando e pregando contra os malfeitos locais, independente de agradar ou não a pena do aparvalhado ideólogo do ?establishment? estadual.