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CINQUENTA ANOS DEPOIS...

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Parece que foi ontem... 15 de dezembro de 1962. Recebi com meus colegas de turma, com a maior alegria e o coração em júbilo, o sonhado diploma de médico. Foi uma noite inesquecível. Todos nós (éramos 14) estávamos bem preparados para o nobre exercício da medicina: Aldo Olmos Molina, Antônio Dantas Lima, Everaldo Lemos, Helenilda Veloso Pimentel, Ivanise Maciel Ribeiro, José Cândido de Almeida Vieira, Maria Francisca de Almeida Vieira, Mário Alves de Souza, Mariza Ferreira Marinho, Milton Hênio Netto de Gouveia, Nehemias Rodrigues de Alencar, Roberto Maia Mendonça, Sophia Lins Marinho e Tácito Augusto Medeiros. A todos eles, o meu afetuoso abraço. Sentimos com tristeza a ausência entre nós dos nossos inesquecíveis colegas José Cândido e Nehemias Alencar que nos deixaram ao longo do caminho, partindo para a eternidade. Duas figuras extraordinárias de médicos e colegas dedicados. Passados todos esses anos, temos a imensa satisfação de dizer que cumprimos, dentro de nossas forças, o juramento que pronunciamos naquela noite que ficou em nossa memória e no nosso coração. Cinquenta anos de medicina! É o término de um pedaço de nossa vida e o começo de outra, pois já somos setentões. É uma espécie de estação de parada para que possamos aferir os prós e os contras dessa longa viagem. É o tempo de recordação e de avaliação daquilo que fizemos ou que deixamos de fazer. E assim o tempo passou. Os anos chegam e se vão. E nessa marcha e contramarcha do tempo, temos que agradecer a Deus a sua companhia que nos deu a grande felicidade de sermos médicos de verdade. Pelos caminhos do tempo onde caminhamos e ficamos às vezes cansados, fomos deixando pedaços de nossas vidas por este mundo de Deus. Passados 50 anos ainda ouvimos com saudade, no silêncio da noite, as vozes dos nossos inesquecíveis mestres como Ib Gatto Falcão, Lages Filho, José Mário Mafra, Hélvio Auto e tantos outros que marcaram nossas vidas. Passados todos esses anos, com tristeza, vemos que a medicina moderna perdeu muito da sua humanização. Como o sol que faz florescer a vida na natureza, o calor humano também faz milagres quando através do carinho e da dedicação do médico reacendendo o triunfo da vida. Sempre digo que existe um remédio que nenhuma farmácia vende que é a palavra do médico. Ela faz milagres. Aos meus caríssimos colegas, aquele abraço.

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