Opinião
A realidade do dif�cil retorno
Divulgada ontem, apesar de não ser surpresa, é chocante a informação de que 70% dos jovens em liberdade assistida são usuários de drogas. Esse dado faz parte da Pesquisa do Perfil do Adolescente em Cumprimento de Medidas Socioeducativas e Liberdade Assistida, que durou um ano, e tem como promotora da pesquisa a Prefeitura de Maceió, através Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas). O universo do estudo teve como foco 200 jovens acusados de atos ilícios que, depois de conclusos os recolhimentos determinados como ?medida socioeducativa?, ganharam o benefício da chamada ?liberdade assistida?. A pesquisa realizada é um bom exemplo de atenção, por parte do poder público, ao jovem em processo de reinserção social. Os jovens foram acompanhados durante um ano, tempo que confere mais solidez, mais qualidade, ao estudo. A conclusão, apesar de esperada, impacta pela extensão do percentual dos entrevistados que seguem enredados na droga. 70% é um número assustador e uma comprovação do quão é difícil o processo reeducador. Desestruturação familiar, envolvimento com drogas, falta de políticas públicas na área da Educação, desemprego. Esses são apenas alguns dos motivos que levaram crianças e adolescentes ao mundo do crime. Diz o gestor municipal: ?Constatamos, por exemplo, que 70% daqueles que, atualmente, estão em liberdade assistida, são usuários de drogas. Então, isso é uma prova de que não adianta oferecer cursos profissionalizantes, sem tratá-los?. A análise é correta. Porém, o significado do ?trata-los? é algo capaz de suscitar discussões tão acaloradas quanto profundas. O fato, incontornável, é a complexidade do ?tratamento? a ser prescrito. Grosso modo, três fatores convergem para complicar a recuperação, a saber: os dramas da base social e familiar do recuperando; a falta de perspectiva econômica; a dependência química.